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‘Ramonismo’: nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno



Carlinhos fez o seu 1º jogo como titular (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Durante sete jogos, Ramon Menezes não perdeu no comando técnico do Vasco. Foram seis vitórias. Duas a mais do que Abel Braga – seu antecessor no cargo – conquistou no dobro de partidas – 4 triunfos em 14 duelos.

Ramon ainda arrancou uma importante classificação fora de casa na Copa do Brasil, contra o Goiás, nos pênaltis – 2 a 1 no tempo normal – após perder por 1 a 0 em São Januário – com Abel -, garantindo mais R$ 2 milhões aos cofres do clube. Um dinheiro tão bem-vindo quanto um gol aos 48 minutos do segundo tempo quando o placar ainda está zerado.

Bastou, no entanto, apenas uma derrota para o Fluminense, nesse sábado – 2 a 1 -, para algumas pessoas decretarem o fim do ‘Ramonismo’ – expressão criada pelos vascaínos. Não é pra tanto. Aliás, antes também não era.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.

Contra o Tricolor, o Vasco fez a sua pior exibição sob o comando de Ramon até agora. Indiscutivelmente. E não só pelo resultado, naturalmente ruim, mas pela performance. Em momento algum se viu o time organizado e consciente dos últimos confrontos.

Mas se os sete jogos de invencibilidade da equipe não eram motivo para euforia, não deve ser uma derrota num clássico a razão para críticas fora do tom. Ou alguém espera ver o Vasco sendo campeão brasileiro invicto?

Principalmente pelo fato da equipe ter jogado sem duas peças importantes para o modelo de jogo do treinador. Andrey e Bruno Gomes, que vinham se revezando na função de primeiro volante, dando apoio aos zagueiros na saída de bola, não jogaram. Por falta de opções, Fellipe Bastos foi recuado. Carlinhos, recém-chegado – e visivelmente sem ritmo -, fez sua estreia como titular, sendo o segundo homem de meio.

Muitas mudanças num setor crítico do time, que já havia perdido recentemente Guarín e Raul.

A equipe, que também teve dificuldades nos primeiros jogos para fugir da pressão, ficou ainda mais previsível – e errante. As movimentações, que já complicadas com os titulares, se tornaram ainda mais confusas com as alterações.

Soma-se a isso a maratona de seis jogos em apenas 16 dias e um elenco limitado. Surpresa seria uma grande atuação.

Uma das principais marcas do ‘Ramonismo’ é a tentativa de formar um Vasco de mais posse, capaz de jogar no campo adversário, rodar a bola com tranquilidade até os pontas, e aí então acelerar o jogo, aproximar os meias por dentro e finalizar ou servir Cano. Não à toa Bastos é um dos artilheiros do Brasileiro com três gols e Andrey é o principal garçom cruzmaltino na competição com duas assistências.

De uma só vez, Ramon deixou de ter os dois onde queria. E perdeu ainda Bruno Gomes, que dava a sustentação para a dupla progredir. Assim como ficou sem Vinícius, o ponto de desequilíbrio e velocidade na direita, que foi substituído por Parede, outro recém-contratado. Ou seja, em uma única tacada, o técnico se viu sem meio e sem a profundidade em um dos lados. De quebra, com os jogadores cansados, perdeu também a força e a organização na marcação alta, que lhe rendeu gols contra São Paulo e Ceará.

Sobrou apenas Talles Magno na esquerda. E o Fluminense em campo.

Ser líder do Brasileirão com um jogo a menos certamente não batia com a realidade do Vasco. Mas o jogo deste sábado também não condiz.

Nem tanto Ramonismo, nem tanto pessimismo.



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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

andrefschmidt@gmail.com

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