A primeira impressão do Vasco versão 2020



Vasco empatou em 0 a 0 com o Bangu (Foto: Thiago Ribeiro)

Costumo dizer que estreia de temporada tem um quê de réveillon. O torcedor se sente energizado, revigorado, diante de novas possibilidades com a virada do ano. Caminham para o estádio antes da bola rolar com suas camisas novas e o peito cheio de convicção em dias melhores. O otimismo é quase palpável.

Após pularem sete ondas e a chuparem algumas romãs – entre outras simpatias tradicionais -, mais de 18 mil torcedores foram à São Januário conhecer a mais nova a esperança vascaína: Germán Cano. Na teoria, a única cara nova do time. Na prática, um time com outra cara.

Abel Braga, a outra mudança em relação ao último ano – Vanderlei Luxemburgo foi para o Palmeiras -, não gerou na torcida a mesma expectativa que o argentino. Ainda assim, vieram de seus movimentos as primeiras mudanças no Vasco versão 2020.

Contra o Bangu, o treinador lançou um time que sem a bola se posicionava num 4-4-2, com Marrony e Cano mais adiantados, Talles Magno na esquerda, Gabriel Pec na direita e Bruno Gomes e Raul formando a linha de quatro. Com a bola, porém, era mais complexo.

Gomes afundava entre os zagueiros, fazendo a chamada saída lavolpiana, liberando os laterais para subirem. Isso fez com que Talles e Pec se movimentassem mais para o meio, ficando ainda mais próximos de Marrony e Germán. Uma espécie de 3-1-5-1, com Raul entre os dois principais blocos.

Mas o ataque embolou.

Bem diferente da ideia de Luxemburgo, que jogava com pontas que buscavam o fundo e volantes que precisavam se apresentar na área como meias, o Vasco pecou nas principais movimentações ofensivas. Mesmo tendo uma boa troca de passes – foram 457 certos, segundo o Footstats, marca que não alcançou em nenhum jogo do Brasileiro -, encontrou dificuldades para criar. Principalmente por dentro.

Talles, Marrony, Cano e Pec muitas vezes ocuparam o mesmo espaço, dando ao carrossel ofensivo a sensação de estarem em um trem lotado. Em certo ponto do jogo, Gabriel e Marrony chegaram a correr juntos, lado a lado, com a bola entre eles, como se fossem bonecos de totó de mãos dadas.

A ideia parece boa, mas a execução, dessa vez, não foi.

Convenhamos também que estranho seria se organização fosse uma das virtudes com menos de dez dias de trabalho.

Sem um meia capaz de dar o último passe, Cano teve apenas três oportunidades de marcar. Em duas acertou o alvo – uma delas de fora da área – e na terceira foi bloqueado antes de concluir. Um faro de gol e uma precisão que animam.

Pelo lado, Pikachu foi o nome mais agressivo em campo, líder em passes certos, assistências para finalização e cruzamentos. Na esquerda, no entanto, Henrique não acompanhou o repertório.

Já dá para começar a desenhar o primeiro esboço do Vasco versão 2020. Fica claro, porém, que ainda faltam muitos coloridos.



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