Passeio na Vila



Yan Sasse foi o único a levar perigo ao gol do Santos (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)

É possível distinguir um jogo de mata-mata de um de pontos corridos só de olhar para o gramado, sem a necessidade de consultar o regulamento. São, desde as fases iniciais, disputas que mais se assemelham a rinhas de galo. Um briga quase literal, em busca da equiparação entre as equipes. O melhor, tentando se impôr pela técnica. O mais frágil, pela tática e entrega.

Um desavisado que passasse pela Vila Belmiro ao fim do jogo desta quarta, porém, não notaria que o Santos x Vasco havia se tratado de um duelo de Copa do Brasil, competição que promete um pote de ouro a quem conseguir chegar ao fim do arco-íris. O triunfo dos donos da casa foi construído com tanta naturalidade que deu a sensação que estenderiam uma mesa com quitutes após o apito final para um piquenique entre os atletas.

Nenhum santista explodiu histérico pela vitória. Nem mesmo no instante dos gols. Os vascaínos, menos ainda. Não se viu um momento de afobação ou medo por parte da equipe de Sampaoli, um olhar de decisão, uma necessidade de entrega extra. Nada. Isso porque o triunfo santista se construiu com a discrição de um passeio no parque.

Nesse caso, na Vila.

Era, desde o início, um duelo de antagonistas. De ideias e estratégias distintas. Um rápido, jovem, esfomeado e talentoso Santos, contra um Vasco enrijecido e passivo, principalmente após o atropelo sofrido no fim de semana diante do Flamengo, na primeira partida final do Campeonato Carioca.

Foi até um Vasco mais solto do que o do clássico, é verdade. Mesmo com três volantes. Isso porque com Bruno César e Maxi López o time que joga quase sempre sem a bola iniciava a sua marcação com menos dois, dificultando não só a recuperação como a transição. Foi assim que acabou encurralado pelo Rubro-Negro no Nilton Santos.

Com William Maranhão no meio e Marrony como centroavante, Valentim melhorou a mobilidade do time, mas reduziu ainda mais o poder de criação e conclusão da equipe, que já era praticamente nulo. Tanto que Maranhão foi o principal finalizador vascaíno na noite, com três tentativas. Nenhuma capaz de esboçar um sorriso de canto de boca sequer.

É aí que a fragilidade cruz-maltina se escancara. O time não consegue dar tapinhas na cabeça com a mão direita enquanto faz movimentos circulares na barriga com a esquerda. Ou seja: não é capaz, dentro de um mesmo jogo, de se defender e atacar. Ou um ou outro. Muitas das vezes, nenhum dos dois. E cabe ao técnico extrair isso do seu grupo. Principalmente após sete meses de trabalho.

O Vasco foi até a Vila Belmiro para empatar. Se possível, em caso de derrota, não ser goleado – como teve a chance de fazer o Flamengo. E de fato não foi. Muito em razão da amistosidade com que o Santos conduziu sua vitória. Percebeu, desde o início, que o risco era baixo e os espaços, principalmente dobrando em cima dos laterais, eram grandes. Ricardo Graça, na cobertura, muitas vezes impediu avanços maiores.

Mas bastou Sanchez puxar a marcação de Danilo Barcelos para dentro da área, abrindo uma brecha em suas costas para a entrada de Rodrygo, que não foi acompanhado por Pikachu, para o Peixe abrir o placar, aos dois minutos do 2º tempo. Tão natural quanto a supremacia santista, naquele momento, era o placar.

O Santos também dava espaços, é bem verdade, mas o Vasco esbarrava na sua própria limitação para aproveitá-los. Tanto que Éverson, o goleiro santista, foi mais exigido no aquecimento do que na partida.

Com três volantes, o time de Valentim permitiu que o Alvinegro finalizasse 22 vezes. Tanto no Carioca quanto na Copa do Brasil, a equipe de São Januário é a que mais cede arremates aos seus adversários. Segundo o Footstats, foram 101 no Estadual do Rio de Janeiro apenas nos últimos seis jogos e 81 na competição nacional – cinco partidas. Fruto de uma passividade defensiva que Alberto não consegue corrigir.

Não é falta de volantes no time, é de direção.

Do bico da área, sob o olhar de cinco adversários – nunca marcadores -, Jean Mota teve tempo de cancelar seu plano de internet antes de limpar Barcelos, ajeitar o corpo e concluir ao gol de Gabriel Felix, que saltou para a bola com a certeza da rede balançada. Não se deu sequer ao trabalho de esticar os braços para que se medisse a distância entre ele e o inevitável.

Era uma derrota previsível do Vasco. O problema é que todas tem sido.

Os insucessos já não surpreendem. O fraco futebol apresentado, previsível, já não espanta. Tem sido rotina, não exceção. Não há nem ao menos novas desculpas para a falta de competitividade. Diretoria e comissão técnica parecem esperar do torcedor apenas compreensão, quando na verdade deveriam estar apresentando soluções.

A temporada vem subindo de fases. O Vasco, não.

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