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Os protagonistas do Vasco e a mão de Luxemburgo



Vasco venceu o Atlético no Horto (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Quando Rossi cortou pra dentro e cruzou de trivela, com a precisão de um britânico, no peito de Marcos Júnior, ficou claro pra mim que o camisa 7 – que já havia marcado de pênalti – seria o personagem da crônica de hoje. Afinal, uma assistência e um gol em um pouco mais de 30 minutos em campo não é comum. Ainda mais fora de casa.

Mas talvez não fosse justo com Leandro Castan, responsável por roubar a bola no início da jogada – num carrinho igualmente inglês, possivelmente um Bentley – e outras tantas na partida – foi o líder de desarmes (3) e de passes certos (37, com 100% de aproveitamento). Ou até mesmo com Raul, que a carregou até o campo ofensivo e tabelou com o atacante antes do levantamento – já havia feito jogada parecida com Marrony, servindo-o de calcanhar.

Impossível ainda não citar os méritos do camisa 38 ao não desistir da jogada que originou o pênalti convertido por Rossi. Se fosse outro, talvez tivesse desistido bem antes do chute na cara. Falta calma para o garoto às vezes, e até um pouco de refinamento, é verdade, mas nunca há escassez de entrega.

Não seria correto também ignorar mais uma boa partida de Talles Magno que, mesmo isolado na esquerda – tal qual Denílson contra a Turquia em 2002 -, foi uma ilha de talento no fraco 1º tempo de jogo. Patric, Elias e Otero acordarão com as mãos trêmulas e o coração palpitando ao sonharem com as arrancadas do menino. Uma pena que o time não acompanha – literalmente e fisicamente – a rotação do garoto.

O curioso é que, mesmo com tantos pés para decidir, quem começou a virada foi a mão de Luxemburgo.

Com Andrey e Marrony nas vagas de Marcos Jr e Rossi – que realmente não vinham tendo boas atuações -, o Vasco entrou em campo num 4-4-2, com Raul mais aberto pela direita e o jovem atacante flutuando nas costas de Ribamar. Era a tentativa de ter mais pressão e posse no campo ofensivo, abrindo mão do seu 4-3-3 reativo. E funcionou, parcialmente.

Vasco do 1º tempo

Os cariocas tiveram 51,3% de posse na etapa inicial, o que não é comum para a equipe, principalmente como visitante – média geral do time é de 46%. A pontaria, porém, seguiu sendo tão eficiente quanto calça jeans na praia. Foram nove tentativas nos primeiros 45 minutos, segundo dados do Footstats, apenas duas na direção do gol. Nenhuma na rede.

Precisando finalizar quase 14 vezes para marcar um gol, em média, o Vasco tem o 16º pior aproveitamento do campeonato.

A criação continuou sem inspiração, com Talles isolado na esquerda, sem o apoio de Henrique e de Richard, naturalmente mais defensivos. Na direita, Raul e Pikachu brigavam para impedir os avanços de Otero e Cazares. Dois jogos anulados facilmente pelas defesas.

Notando a dificuldade de criar, Luxa voltou do intervalo com Marcos Junior na vaga de Andrey, segurou Raul um pouco mais por dentro e abriu Marrony na direita. Com um minuto o atacante já tabelava com o volante na entrada da área e finalizava com perigo. Era o caminho da vitória sendo aberto.

Vasco no 2º tempo

Com a possibilidade de explorar mais o lado direito de ataque, o técnico sacou Ribamar e colocou Rossi em campo, avançando Marrony para fazer a função do 9. A mudança deu mais mobilidade e versatilidade ao setor ofensivo do time. Porém, antes que pudesse ter efeito, o Galo abriu o marcado após escanteio, com Otero, de cabeça.

As armas vascaínas, no entanto, já estavam no gramado, dispostas por Luxemburgo.

O empate, seis minutos depois, impediu o desespero e a consequente desorganização da equipe. Tranquilo com a igualdade, voltou a ser o time reativo de rodadas passadas. E, assim, contra-atacando, conseguiu a sua primeira vitória de virada fora de casa no Brasileiro desde o triunfo sobre o Santos, na Vila Belmiro, em 2017.

Nem todos os pés decidem no Vasco. Alguns, como os de Castan, Talles e Rossi, no entanto, são fundamentais. Assim como a mão de Luxemburgo, mais uma vez determinante.



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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

andrefschmidt@gmail.com

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