Os 16 minutos imortais de Thalles



Thalles marcou 35 gols pelo Vasco (Foto: Alex Carvalho/AGIF)

Com os braços erguidos e os pés quase saltitantes, num misto de ansiedade infantil e impetuosidade adolescente, Thalles aguarda o passe de Fagner. E ele vem.

Com a barriga, que viria a ser o seu batom na gola da camisa, a prova irrefutável contra si próprio, ele domina. Em uma fração de segundo, a perna direita, com raiva, como um estilingue, finaliza e estufa as redes do Goiás.

A comemoração é furiosa, intensa. Incontrolável.

O menino de 18 anos corre, grita, xinga, bate no peito, beija a cruz e se livra dos braços de seus companheiros. É ele e só ele, até ser parado pela parede de jogadores que o abraça.

O atacante faz tudo o que sempre sonhou – inclusive acordado -, quando criança, em São Gonçalo, para aquele instante. Todos os ensaios mentais para aquele momento aglomerados em um só tento.

Foram necessários apenas três minutos como titular para o centroavante marcar o seu primeiro gol como profissional – contra o Goiás, pela Copa do Brasil de 2013. E mais treze para fazer o segundo.

Dessa vez, quem pedia a bola era Juninho Pernambucano, livre. O garoto recebe de Sandro Silva e ignora o solitário Rei, mostrando total falta de respeito pela monarquia ali instaurada. Thalles não respeitava a hierarquia. Parecia estar ali para assumir o trono, não para ser mais um súdito.

Em apenas dois toques, ajeita, gira e bate de direita, de longe, no canto esquerdo de Renan. Gol de manual dos grandes atacantes. O Maracanã explode mais uma vez, ainda buscando respostas para a pergunta de todos: quem é Thalles?

O menino debutou entre os grandes, no Maior do Mundo, deixando claro que sonhava ser gigante. E não apenas em tamanho.

Ali, na noite daquele 24 de outubro de 2013, Thalles experimentou a incrível sensação de ser uma força da natureza, um fenômeno físico de difícil explicação. Viveu, naqueles 16 minutos, o sonho de toda criança que ama uma camisa antes mesmo de conhecer todas as paixões que a vida tem a lhe oferecer.

A história nos minutos, dias, meses e anos seguintes, porém, seria diferente.

Thalles faleceu nesta sábado, num acidente de moto em São Gonçalo, onde seu sonho nasceu. Mais um menino que não consegue controlar a velocidade com que surge, e nem a que se vai…

* Texto adaptado do original “Os fantasmas de Thalles”, publicado em dezembro de 2017, aqui no blog.

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