O W.O presencial



Rafael Galhardo não fez bom jogo (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)

Menos de 4 mil otimistas foram à Vila Capanema assistir Paraná e Vasco. Eu diria que alguns jogadores, se não fosse por motivos contratuais, também não iriam. É o tipo de jogo de segunda à noite que mais se parece com uma prévia de Série B 2019. Quase um teste de audiência.

E o jogo entregou exatamente o que se esperava dele: nada.

A partida teve a relevância futebolística de uma ostra. Foram 90 minutos de escassez criativa, de um lapso esportivo. Quase um erro de tabela. Um duelo que, tecnicamente, justificaria uma possível ideia de se realizar um Brasileiro com apenas 18 clubes.

Paraná x Vasco foi, numa definição simples e rápida, um W.O presencial.

Não que tenha sido um confronto sem emoção, muito pelo contrário. Como em toda boa – e também as ruins – pelada de rua, onde os times se formam segundos antes da bola rolar, sobraram lances de perigo, quase sempre originados em falhas e concluídos com erros. Foi feio.

O Vasco, porém, não cobra primazia de seus adversários na hora de sofrer gols. Em 2018, por característica, se tornou um grande anfitrião de finalizações alheias. O time sofre gols certos em chutes tortos. Com nove minutos, Alex Santana já abria o placar para os paranaenses em bola desviada em Leandro Castán – assim como contra o Bahia.

Na frente, o inverso: toda tentativa cruzmaltina, como numa trágica partida de Pinball, batia, rebatia e ia para fora. Foi assim com Ríos, Giovanni Augusto, Rafael Galhardo, Pikachu e até Maxi López, o único jogador capaz de dominar uma bola no ataque vascaíno.

E um time que luta contra o rebaixamento, amigos, pode ser tudo, menos frígido na cara do gol. O Vasco foi. Mesmo jogando mal, com Giovanni Augusto (7), Bruno Cosendey (4) e Rafael Galhardo (4) errando mais passes que Mãe de Santo distraída, a equipe finalizou 16 vezes na partida. Apenas quatro, porém, no gol. Só uma na rede: Maxi, de pênalti.

O tento de empate nos acréscimos da primeira etapa fez do intervalo não apenas um rito de transição, mas um momento de oração. Como é sabido, vascaíno que se preza quando nasce não chora, reza. E mantém a prática ao menos duas vezes por semana – normalmente às quartas e domingos.

A expulsão de Leandro Castán antes dos 15 minutos, entretanto, encerrou uma possível euforia. O Vasco, que com onze jogadores vinha tendo uma atuação sofrível, com dez parecia ainda ter onze.

Por pura falta de qualidade de ambos os lados, o placar se manteve igual até o fim. Resultado também que só não ficou no zero porque não seria justo, com a fragilidade dos dois , que o jogo terminasse sem que fossem vazados.

Se não fosse por uma arrancada de Maxi López já perto do fim, contra quatro defensores, como animal acuado que luta pela sobrevivência, e um domínio do argentino na ponta do pé, com se apoiasse uma panela quente sob um suporte de vidro, eu diria que o Vasco havia desistido de vencer antes mesmo de tentar triunfar.

E foi quase isso, por circunstância ou concordância.

O Vasco não foi capaz de se impôr nem contra o lanterna. Pior! Deixou o gramado satisfeito, enquanto que o adversário, último colocado e com menos gols marcados (12) que Gabigol (13), saiu indignado com o 1 a 1, numa prova, mais uma vez, que o elenco vascaíno hoje não é favorito nem no coletivo, quem dirá em rodada do Brasileiro.

Ou seja, até mesmo o Paraná, que precisa de uma margem de erro de quase 100% para se safar da degola, entra em campo querendo dar algo mais do que pode, mas o Vasco não.

O time de Alberto Valentim, apesar de toda a agitação de seu treinador à beira do gramado e das alterações pra frente – aliás, se o time evolui com Pikachu na lateral, por que não iniciar assim? -, é capaz de ver uma bola cruzar a área aos 48 do segundo tempo sem que ninguém a empurre para dentro. Giovanni Augusto, perto do fim, em jogada iniciada por Oswaldo Henríquez, deixou a bola passar com a naturalidade quem abre uma água de coco à beira-mar.

Por muito menos, em lance parecido, num jogo comum de Carioca, em 96, Pimentel se lançou de cabeça na trave, aos 46 do segundo tempo, só para impedir o 0 a 0 com o extinto Barreira. Essa tenacidade enraizada não se vê mais.  Nem mesmo numa luta pela vida.

O Vasco atual não dá ao seu torcedor nem a opção de uma morte rápida e sem dor. Ele arrasta o processo, dentro e fora do campo, sob o som da Marcha Fúnebre, com um sorriso contrariado no rosto durante o dia e pouquíssimo tesão em toda a noite. O time dá sinais naturais de luta, quase involuntários, mas muito pouco de força.

O Vasco, hoje, entretanto, se faz ausente até em sua presença.

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