O Vasco de Luxemburgo



Luxemburgo venceu a primeira com o Vasco em 2021 (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Quando Vanderlei Luxemburgo foi contratado pelo Vasco em 2019, escrevi aqui que a mudança de treinador causava no torcedor um sentimento similar ao do réveillon. Como se à meia-noite tudo de ruim ficasse para trás e um novo ano, lindo e belo, estivesse à sua frente.

Na ocasião, a mudança não foi tão rápida. Luxa precisou de quatro jogos até vencer o primeiro duelo, contra o Internacional – empatou com Avaí e Fortaleza, e perdeu para o Botafogo. Agora, porém, as ondinhas puladas à beira-mar parecem ter ajudado nas súplicas vascaínas.

Veja bem, não é que simplesmente o Vasco voltou a vencer. Nem mesmo é pela diferença de três gols imposta sobre o Botafogo, algo que o time não alcançava num clássico carioca desde 2010, quando repetiu o placar sobre o Fluminense – gols de Thiago Martinelli, Dodô e Fagner. Mas é pela forma com que vem se comportando em campo.

O início de 2021 do Cruz-Maltino sob o comando de Luxemburgo, dá a sensação de que 2020 não aconteceu. Assim como para muitos de nós, em quarentena, é como se o ano tivesse sido uma grande segunda-feira. E, como se sabe, segunda não é dia de futebol. Ao menos não de um bom futebol.

Luxemburgo mudou isso.

Em duas partidas com o técnico – principalmente nos 45 minutos iniciais de cada uma -, o Vasco foi o que não havia sido com Abel Braga, Ramon e Sá Pinto nem por um instante: agressivo com e sem a bola. Mas, se engana quem acha que é algo simplesmente motivacional, apesar de Vanderlei ter essa característica. O bom desempenho passa também pela organização.

Reparem bem nos três gols marcados sobre o Botafogo.

Antes de Henrique cruzar para Talles Magno marcar, a jogada já havia sido construída por Pikachu e Cayo Tenório na direita e chegado aos pés de Leo Gil, no lado oposto. Cinco jogadores tocando na bola no campo adversário e mudança constante de lado antes dela ir para as redes.



Quando o lateral-esquerdo levantou a cabeça e olhou para a área, não viu apenas Cano, como vinha sendo nos jogos anteriores. Talles também estava lá, assim como Bruno Gomes, o primeiro volante de Luxa que não é responsável apenas por iniciar a transição, mas também de impedir a saída adversária. Assim como fez no segundo gol.

Bruno ganhou a segunda bola na intermediária ofensiva – foram cinco desarmes e uma interceptação no jogo – e cinco segundos depois ela já havia passado por Talles Magno, Caio Lopes e Germán Cano, antes de Andrey finalizar para marcar o segundo.



Pressão, aproximação e gol. Esse tem sido o retrato dos primeiros dias do Vasco de Luxemburgo.



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