O último bloco



Maxi marcou de pênalti (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O Carnaval no Rio de Janeiro é, tradicionalmente, mais longo que os outros do Sudeste. É algo que dura o ano inteiro, com apenas algumas pequenas mudanças de ritmo no percurso. Um Vasco x Flamengo, no entanto, é um desfile centenário interminável, com pequenas paradas de bateria esporádicas que, por conveniência, chamamos de dia útil.

Todo o resto é um grande Clássico dos Milhões diluído em piadas na padaria e discussões de bar durante os dias comuns do carioca. O que rola entre o apito inicial e o final, no Maracanã, nada mais é que um aditivo para o jogo que nunca acaba.

Veja bem, não existe clássico irrelevante. Irrelevante é um fim de semana sem clássico. Assim como seria um ano sem Carnaval.

Todo pós-clássico, no entanto, é uma longa quarta-feira de cinzas. Independente do período em que acontece e de quem vence. Enquanto uns celebram como se ainda fosse Carnaval, outros caminham cabisbaixos, ressaqueados, como se rumassem para uma segunda-feira irrelevante de outubro.

O empate com um gol aos 50 minutos do segundo tempo, num pênalti em Marrony mais questionável que o não marcado em Maxi, deu ao Flamengo o gosto amargo do pós-Carnaval, onde nem se brinca tanto e nem se leva o trabalho tão a sério. Ao Vasco, trouxe a alegria de quem conquista seu único beijo no último bloco.

Não foi um bom jogo. De ninguém. Nem um bom clássico, morno até o gol rubro-negro marcado já no 2º tempo, por Arrascaeta. Depois disso, foi clássico, não necessariamente jogo.

O Vasco pareceu ter uma crise de identidade, como um bate-bola de saia de tule.

Indeciso entre jogar no contra-ataque, pressionando a saída de bola, como vinha sendo e como fez nos primeiros minutos – inclusive com Marrony perdendo um gol sem goleiro, de cabeça -, ou propondo o jogo, como teve que fazer de forma desorganizada na parte final, quando ficou em desvantagem, não fez nenhum dos dois. O Flamengo, por sua vez, com seus reservas, não teve a fantasia que seu torcedor espera pelo investimento que fez, mas ainda assim levou mais perigo nos espaços deixados pelo Cruzmaltino, que terminou a partida mais separado do que escola de samba com carro alegórico quebrado.

Com dois volantes, o time de Valentim voltou a ser estéril na hora de criar com bola rolando, com ela girando muito nos pés de Lucas Mineiro e dos laterais, e pouco nos homens de frente, ao contrário do que aconteceu contra o Boavista, quando o técnico lançou Thiago Galhardo e Bruno César juntos em campo. Thiago havia sido o segundo com mais passes certos – 53, assim como Bruno César – contra o time de Saquarema, dessa vez foi apenas o 10º, com 12. Dos titulares, apenas Maxi López participou menos, com sete passes. O que mostra a criação nula da equipe.

Sem Rossi, o time perdeu a velocidade, que vinha sendo grande arma da equipe que tem dificuldades em produzir propondo jogo. Sem contra-ataque e sem aproximação no meio, o Vasco ameaçou apenas nas bolas paradas, não aproveitadas por Danilo Barcelos.

Pelos lados, Marrony e Pikachu também pouco produziram. Prova disso é que cada um acertou somente 15 passes, três a menos que o goleiro Fernando Miguel. O jovem atacante foi decidir, sofrendo o pênalti cobrado por Maxi, já nos acréscimos, numa rara investida como centroavante, quando o Vasco já se lançava no fim da folia sem adereços ou fantasia, apenas entusiasmo.

Vasco e Flamengo fecharam o Carnaval com mais animação do que organização. Um bloco que terminou em ritmo de bateria, mas foi conduzido, por ambas as equipes, com pouca harmonia e nenhuma evolução.

De positivo, apenas o tradicional enredo emocional.

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