O último ato de Zé Ricardo no Vasco



Zé Ricardo não é mais o técnico do Vasco (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

A grande dificuldade de escrever sempre sobre o mesmo time é que se corre o risco, previsível e inevitável, de cair na repetição. E nada mais recorrente em 2018 do que os erros do Vasco. Coletivos, individuais e, talvez, até espirituais.

A homenagem a Pai Santana, feita neste sábado – justa e atrasada -, teve quase o efeito de uma súplica por uma benção divina. Uma última esperança de tentar mudar os ares de São Januário.

Sem êxito.

O que se viu contra o Botafogo foi o velho roteiro de falhas vascaínas que tem se arrastado por toda a temporada – e que já foram enumerados aqui diversas vezes. Com apenas cinco segundos de jogo, Fabrício foi travado por Aguirre na lateral numa clara demonstração de que o Alvinegro tinha a nítida noção da fragilidade vascaína. Sabia onde agredir.

Todos sabiam. Foi por ali também que Bahia e Racing construíram suas goleadas recentes.

Quatro minutos depois, gol botafoguense em jogada iniciada em cima do lateral cruz-maltino. Lance feito por Jean – e concluído por Kieza -, que em um ano de Vasco não deu uma assistência sequer. Precisou de apenas dois toques na bola para dar o seu primeiro passe decisivo com a camisa do Glorioso. Seria irônico, se não fosse trágico.

Ao menos para o vascaíno.

Mais uma vez o Vasco teve mais posse do que o seu adversário, e mais uma vez ela serviu muito pouco, ou quase nada, para conseguir um resultado positivo. Dos 556 passes trocados pela equipe de Zé Ricardo, 65 foram entre Erazo, Luiz Gustavo e Ricardo Graça. O trio liderou as interações na partida.

Ou seja, mais uma vez o time foi inofensivo e inoperante na transição. Diria mais: ter a posse na defesa, para o Vasco, não é vantagem, é armadilha. Dele para si próprio, num suicídio lento e eficaz da equipe.

Trocar bolas entre zagueiros e laterais em seu campo de defesa é tão útil quanto salada em churrascaria. Só faz volume.

O gol na bola aérea, anotado por Igor Rabello, ainda no 1º tempo, só tornou a derrota vascaína ainda mais caricata. Era tão óbvio quanto a saída de Zé Ricardo antes do fim da temporada. O que ocorreu antes do fim do dia.

Quando sofrer gols deixa de ser uma surpresa e passa a ser um sentimento de déjà vu, é sinal de que mudanças precisam ocorrer. E Zé não conseguiu ser o homem responsável por essas alterações. Apesar das tentativas.

O Vasco se tornou uma espécie de spoiler de si próprio.

O treinador chegou a sacar Erazo para a entrada de Lucas Santos no fim do clássico, quando Andrey – que até outro dia era a sua 4ª ou 5ª opção para a posição de volante, tendo ganho espaço apenas em razão das lesões e suspensões – já havia diminuído o placar. Um último ato de desespero do técnico, e que mais uma vez não gerou resultado.

A sensação que dá é que Zé Ricardo não era mais capaz de extrair nada do já limitado elenco vascaíno. E quando se une a fragilidade individual com a instabilidade coletiva, o fracasso é inevitável.

Pelos relatos do dia a dia, Zé sempre se portou de maneira correta e profissional no clube. E foi assim até a sua saída. Optou por deixar o cargo às vésperas de uma pausa que será importante para o elenco e, naturalmente, para o seu substituto.

Sua saída, porém, não é certeza de dias melhores. Apesar das muitas escolhas questionáveis, Zé não é o único culpado pelo momento do clube. Sequer o principal responsável pelo o que ocorre dentro dele.

A mudança era necessária, mas poderia ter partido do próprio treinador, que teve inúmeras oportunidades de rever suas ideias de jogo. Não o fez.

O Vasco, que iniciou o ano sem presidente, chega ao meio dele sem treinador. E com o fim dele ainda mais indecifrável.



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