O tiro no pé



Valdívia e Andrey entraram no 2º tempo (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

A chegada de um novo treinador é uma espécie de réveillon esportivo, onde se renovam as esperanças do torcedor e as promessas após um período difícil. Um ato mais de fé do que de razão. É a ideia de ciclos que convencionamos a nossa vida desde que nascemos: horas, dias, semanas, meses… Há sempre um recomeço.

O que deixa claro também, porém, que toda troca de comando é sempre precedida por um momento ruim, apesar da festa e dos fogos que vêm na sequência. Do contrário, não haveria mudança. O futuro parece sempre mais promissor do que o presente.

Na chegada de Luxemburgo ao Vasco, no entanto, antes do estourou da champanhe veio a ressaca. Alberto Valentim e Alexandre Faria deixaram muito pouco para Marcos Valadares trabalhar. Esse, por sua vez, no pouco tempo que teve, também quase nada acrescentou ao trabalho que Luxa terá pela frente.

Após abandonar o esquema com três zagueiros, adotado em seu primeiro jogo como interino, contra o mesmo Santos que enfrentou neste domingo, Valadares voltou atrás e lançou a equipe no sistema que havia ganho do Peixe em São Januário. Porém, com peças bem diferentes.

Os times de Jorge Sampaoli reconhecidamente atuam com linhas altas que marcam sob pressão a saída de bola. Recupera e finaliza rápido. É algo de conhecimento de todos, inclusive do técnico vascaíno, que tentou superar a forte marcação em seu campo defensivo com aproximações e troca de passes entre seus homens de defesa, incluindo o goleiro. Só que esse era exatamente o setor mais desfalcado do time, que atuou sem Fernando Miguel, Cáceres, Leandro Castán e Werley, titulares da posição desde o início do ano.

Com peças de qualidade inferior e a tentativa de um novo esquema treinado em poucos dias, já que o Vasco atuou contra Atlético Mineiro e Corinthians com outra formação, a arma de Valadares para escapar da pressão de Sampaoli virou contra ele próprio. O domínio santista ocorreu exatamente no sufoco imposto à defesa cruz-maltina, que não conseguia sair de seu campo. Com 15 minutos de partida, Luiz Gustavo, que havia entregue uma saída de bola contra o Timão, em Manaus, e que terminou no gol de Mateus Vital, já era o líder de passes errados do jogo com três tentativas equivocadas – terminou com cinco em apenas 45 minutos.

Quando o zagueiro errou a quarta saída, em passe forçado para Rossi, o Santos já marcava o seu segundo gol na partida, aos 32 do 1º tempo. Quatorze minutos antes, o goleiro Sidão também já havia errado, deixando Pituca livre para abrir o placar. Com um terço do jogo disputado, o duelo já havia se encerrado pelo Vasco.

Foram 47 passes errados do Cruz-Maltino no jogo, a segunda pior marca da equipe no ano. Apenas contra o Flamengo, na decisão do Estadual, o time errou mais – 54.

O último tiro de Valadares no comando do time antes da chegada de Luxemburgo acertou o próprio pé, assim como as convicções do departamento de futebol do clube, antes entregue ao comando de Alexandre Faria – recentemente demitido -, que contratou para todos os setores no início do ano, alguns até com certo exagero – o elenco tem mais de 10 opções para volante, por exemplo -, só não trouxe novos nomes para o gol e para o miolo de zaga, apesar da saída de Martín Silva, do empréstimo de Jordi, e da lesão de Breno, ainda no ano passado.

Foi 3 a 0 para o Santos e poderia ter sido mais. Muito mais.

Se Luxa não sabia o que lhe esperava em São Januário, conheceu o suficiente neste domingo no Pacaembu.

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