O tamanho do trabalho que Sá Pinto terá no Vasco



Ricardo Sá Pinto assume o Vasco nesta 2ª feira (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Ricardo Sá Pinto foi anunciado como novo técnico do Vasco na última quarta-feira e chegou ao Rio dizendo que não sabia das dificuldades financeiras que o clube vive. Um problemas de décadas, aliás.

É possível que não soubesse também sobre o nível técnico e físico que se encontra o Vasco – outro problema de anos. Se não sabia, ficou sabendo neste domingo, quando acompanhou de perto a derrota do time para o Internacional, no Beira-Rio.

Um nível bem distante do Vasco de Romário, citado pelo treinador em sua chegada. Talvez mais próximo do Vasco que Sá Pinto enfrentou como jogador pelo Sporting – e goleou por 4 a 0 -, em 96. Assim como hoje, um Vasco recheado de jovens jogadores, como Pedro Renato, Brener, Gian, Fabrício Eduardo e Bruno Carvalho, e poucas referências – Germano, Válber e Juninho -, que lutou na parte de baixo da tabela o tempo todo naquele Brasileiro. Se salvou graças a chegada de reforços como Edmundo e Ramon.

O problema, claro, não está apenas em ter jovens jogadores no elenco.

O que se viu no Beira-Rio, principalmente no 1º tempo, foi o retrato do Vasco nos últimos jogos: sonolento, desinteressado e submisso. Um time que permitiu ao seu adversário bater cerca de 80% de posse de bola mesmo quando já perdia por 1 a 0. Em momento algum o Cruz-Maltino esboçou reação, manteve as linhas baixas e sem pressão até o Colorado marcar o segundo e a partida ir para o intervalo praticamente definida. Um filme repetido dos jogos contra Atlético Mineiro e Bahia.

A questão, no entanto, também não é apenas de postura.

Falta organização, como ficou provado nos dois gols do Inter construídos em contra-ataques. Ou seja, num raro momento em que os vascaínos conseguiram ter a posse no campo ofensivo, se desarrumou atrás. O Colorado, que já levava perigo no jogo aéreo graças a marcação frouxa do Vasco, permitindo cruzamentos a todo momento, definiu o placar em duas arrancadas em velocidade contra uma equipe que é ineficiente na recomposição.

Alexandre Grasseli, técnico interino do Vasco, disse após o jogo que “o Internacional dominou o 1º tempo, com gols, e o Vasco, o 2º, sem gols”. Ora, mas é claro. O Inter não precisava de mais gols, quem necessitava era o Vasco, que não os encontrou.

Muito da melhora da equipe no 2º tempo se deu pelo contexto do jogo. Por permissão do adversário, mais do que por imposição do Vasco.

O Inter, que já havia marcado duas vezes em contra-ataque, recuou suas linhas e esperou o Cruz-Maltino. Isso explica a maior posse e o aumento no número de finalizações na etapa final – de 38% pra 59% e de 2 pra 6, respectivamente, segundo dados do Sofascore.

O Vasco avançou porque o Inter cedeu. E não marcou porque falta qualidade. Na única chance realmente clara, Cano desperdiçou. Dali não costuma faltar qualidade ao argentino, mas com oito jogos sem vitória, mais de um mês, talvez pese a tranquilidade. Nele e, claro, nos outros.

Conforme Benítez e Andrey foram perdendo fôlego, o meio foi diluindo e o Internacional equilibrando novamente as ações. No banco, Grasseli tinha apenas Fellipe Bastos como opção para o meio. Enquanto isso, os donos da casa entravam com D’Alessandro, Praxedes e Rodrigo Dourado para o setor. A diferença é muito grande.

Não dá pra achar normal disputar um Campeonato Brasileiro com um elenco tão desequilibrado, onde sobram pontas e faltam meias. Principalmente quando trás um treinador habituado a trabalhar no 4-2-3-1, com meias construindo por dentro.

O Vasco, hoje, peca em tudo: organização, atitude, qualidade técnica, elenco e confiança . E deixou isso bem claro para o seu novo treinador com a atuação deste domingo no Sul.

O tamanho do trabalho que Sá Pinto terá pela frente no Vasco é inversamente proporcional à paciência do torcedor.

E com razão.



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