O samba de Valentim sob a batuta de Bruno César



Bruno César foi o destaque contra o Boavista (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Bruno César chegou ao Vasco sob a desconfiança natural – inclusive minha – de quem havia estado em um gramado por pouco mais que 400 minutos durante todo o ano de 2018, quando defendeu o Sporting. Pesava ainda sobre o jogador, além da forma física, o fato de não ter conseguido se destacar em sua última passagem pelo Brasil, em 2014, quando atuou pelo Palmeiras. Assim como vinha sendo discreto também em Portugal. A mudança, no entanto, tem sido rápida.

Entre os 33 minutos arrastados em sua estreia, contra a Portuguesa, e os 90 de protagonismo em pleno sábado de carnaval passaram-se apenas 31 dias. Dos 82,3% de passes certos no primeiro jogo para os 93% desta tarde, uma evolução clara e animadora.

Com Lucas Mineiro sozinho como volante, o camisa 10, junto de Thiago Galhardo, foi obrigado a recuar para organizar o time desde o círculo central. E foi ali, com a experiência da velha guarda, a elegância de um mestre-sala e a leveza das baianas ao girar – bolas buscando os laterais -, que Bruno abriu os alas na nova proposta de Valentim. Foram quatro lançamentos certos, o líder do fundamento no jogo. Um deles, para Rossi marcar, com as curvas de uma passista e a precisão de uma bateria nota 10.

O Vasco, que nas partidas anteriores concentrava sua posse quase sempre nos zagueiros, laterais e em Mineiro, sendo o volante, até então, um sambista solitário no desfile de transição vascaíno, ganhou qualidade ao acionar mais os seus meias. Galhardo e Bruno trocaram 53 passes certos cada, segundo o Footstats, apenas três a menos que o lateral Cáceres, responsável pela ala mais produtiva do time. O número foi praticamente o dobro da média dos apoiadores, que era de 27 toques por partida no Estadual, no caso de Thiago, e de cerca de 25, no de César.

O esquema com apenas um volante, e que não tem na marcação sua principal virtude – com apenas seis desarmes, Lucas Mineiro é o cabeça de área titular dos quatro grandes que menor roubou bolas no Carioca -, não deve ser a principal opção de Alberto Valentim para o restante da temporada. Recuado após abrir o placar, com Marrony, o Cruzmaltino permitiu ao Boavista finalizar oito vezes apenas na primeira etapa, 14 no total. Contra uma equipe mais qualificada, como o Flamengo, próximo adversário, pode ser perigoso.

A formação mais ofensiva, no entanto, mostra que Valentim tem opções em seu elenco e que não pretende ficar refém de apenas um sistema de jogo. É possível variar durante o ano, assim como dentro de partidas específicas, de acordo com a necessidade.

Dar harmonia a diferentes sambas é um dos benefícios do Estadual. Contra o Boavista, se não foi nota 10 em todos os quesitos, ao menos serviu para dar ritmo ao conjunto e moral ao seu principal puxador: Bruno César.

* Com dados do Footstats

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