O resumo do Vasco em 2019



Pikachu marcou contra a Chapecoense (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Todos os dias deveriam ser grandes tardes de domingo no Maracanã.

É a verdadeira simbiose do futebol escancarada na paixão de milhares de torcedores que dão um abraço coletivo no time e em si próprios. Algo que o vascaíno tem feito ao longo de sua história, e que nos últimos dias se tornou ainda mais fervoroso.

Foram 140 mil novos sócios em apenas duas semanas e mais de 67 mil torcedores nas arquibancadas contra a Chapecoense. Um acolhimento natural da torcida, mas que, novamente, não foi correspondido em campo.

O vascaíno é um apaixonado que escreve cartas de amor nunca devolvidas. Algumas sequer foram lidas.

A torcida montou o cenário perfeito para o encerramento de um ano que passou longe do ideal, mas que projetou um futuro – ainda não tão próximo – melhor. Era a chance de deixar uma última impressão positiva, quase que um flerte para 2020.

O que se viu no campo, porém, foi um rápido resumo da temporada cruz-maltina.

Muita velocidade com Rossi pela direita, pouca qualidade por dentro na criação. Muita tentativa de carregar a bola, pouco jogo apoiado na hora de construir. Muita bola longa, pouco passe curto. O de sempre.

A verdade é que os onze vascaínos no gramado se tornaram privilegiados por poderem assistir de perto o espetáculo proporcionado pelo torcedor. Esse sim o grande astro do Maracanã.

O Vasco melhorou no 2º tempo com as entradas de Gabriel Pec e Marcos Júnior, dobrando o número de finalizações de um tempo para o outro – passou de sete para 15. Com 22 arremates, foi o recorde do time no Brasileirão 2019. A qualidade, no entanto, foi a de sempre.

Ribamar, o 9 da equipe, teve apenas uma chance – uma das mais claras -, e desperdiçou. Pikachu, o lateral, foi quem mais tentou – cinco – e o único que marcou. Termina o ano como artilheiro, empatado com Marrony, ambos com 10 gols. É a pior marca de um goleador na história do futebol profissional do clube, igualando Rafael Silva, em 2015.

Uma inaptidão ofensiva constrangedora.

O 1 a 0, porém, se não era animador, deixava o domingo vascaíno ao menos mais leve. Dava a garantia de que aquela reunião nas arquibancadas não havia sido em vão. A história só contaria o placar, não o enredo, e isso, por ora, bastava. Mas o roteiro do Cruz-Maltino em 2019 teve muitas vezes o mesmo fim: o da desatenção.

Pela 7ª vez neste Brasileirão o Vasco sofreu um gol após os 35 minutos do 2º tempo, deixando pontos preciosos pelo caminho. O de Vini Locatelli custou R$ 550 mil na premiação do clube pela colocação no campeonato – receberá R$ 14,6 milhões pela 12ª colocação ao invés dos R$ 15,15 milhões do 11º.

A verdade é que em 2019 o único protagonista no Vasco foi o seu torcedor.

Por diversas vezes jogou sozinho, foi responsável pelas grandes vitórias na temporada e é onde se resguarda toda a grandeza do clube. O futuro passa cada vez mais pela torcida, que ainda aguarda ansiosa pelo presente, e o dia em que terá retribuído o seu amor.

Em 2019, as cartas foram escritas. O vascaíno agora aguarda respostas para 2020.



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