O renascimento de Breno



Breno tem feito boas partidas pelo Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Breno é destes zagueiros de cara fechada, poucas palavras e muito futebol.

Surgiu no São Paulo em 2007, aos 17 anos, e na temporada seguinte já envergava a camisa do Bayern de Munique, na Alemanha, e da Seleção Brasileira nas Olimpíadas.

Não deslanchou no futebol alemão como se esperava. Teve problemas pessoais, físicos – passou por três cirurgias no joelho -, psicológicos e judiciais. Aos 21 anos, enquanto muitos jogadores estão iniciando suas carreiras profissionais, o defensor parecia encerrar a sua.

Em 2012, Breno foi preso por atear fogo à própria casa, alcoolizado, sendo condenado a três anos e 9 meses de detenção. Ficou por dois e meio.

Ainda jovem, precisou enfrentar dois dos piores atacantes que alguém esperar ter pela sua frente: a depressão e o vício. E, claro, as suas consequências.

Retornou ao Brasil em 2015, para o clube que o revelou e, no momento de maior dificuldade, como uma mãe, o acolheu: o São Paulo. Sua volta, porém, dava mais sinais de um ato de caridade do que realmente uma tentativa de reencontro na carreira.

Eram muitos pontos negativos contra Breno, pouquíssimos à favor. Além de uma boa memória deixada oito anos antes, a expectativa era baixa.

Breno teria que superar outro grande adversário em sua volta: ele próprio.

Em dois anos em meio no Tricolor, porém, fez apenas 13 jogos oficiais. Os joelhos e, claro, o longo período parado, continuaram sendo o problema.

Com menos de 100 partidas disputadas em 10 anos, Breno carregava o peso de se tornar um ex-jogador em atividade. Ou pior: um jogador em constante inatividade.

Até que veio a transferência para o Vasco.

Em seis meses de clube, no 2º semestre de 2017, Breno conseguiu sua maior sequência da carreira desde seu primeiro ano como profissional, uma década antes. Disputou 25 jogos com a camisa vascaína, marcou um gol, e ajudou a colocar o time de volta na Libertadores após seis anos longe.

Antes de encerrar a temporada, porém, uma nova lesão. Novamente no joelho direito.

As batalhas de Breno pareciam nunca se limitar aos gramados. Foram mais seis meses afastado.

Retornou aos campos em maio deste ano para um novo recomeço. Para mais uma tentativa de concluir o que sempre fica em aberto.

Em seis jogos pelo Vasco em 2018, o time venceu três, empatou dois e foi derrotado em apenas um. Breno voltou a ser a referência defensiva que sempre prometeu ser, principalmente tendo o jovem Ricardo Graça ao seu lado.

Nas duas últimas rodadas do Brasileirão, as únicas disputadas pós-Copa, Breno foi o zagueiro que mais acertou lançamentos – seis -, viradas de jogo – três – e o segundo que mais realizou desarmes – cinco -, ficando atrás apenas de seu ex-companheiro de zaga, Anderson Martins, hoje no seu antigo clube, o São Paulo.

Aos 28 anos de idade, Breno renasce para o futebol em alto nível. Porta-se como um veterano em campo, que já superou disputas muito piores do que qualquer dividida, mas ainda em busca da juventude perdida.

Busca essa que o ajuda a manter-se competitivo.

Permanecer saudável é o grande duelo pessoal de Breno. Todas as outras batalhas, as do campo, porém, têm parecido fáceis para o zagueiro.

* Com números do Footstats

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