O protagonismo



Maxi López participou pouco do jogo (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

Em entrevista antes da partida, Alberto Valentim revelou que esperava um jogo muito estudado, por ser o primeiro de duas finais do Campeonato Carioca. O treinador dava ali, antes mesmo da bola rolar, o tom que seu time assumiria na partida: o de cautela. Só que ele esperava isso também do adversário, o Flamengo, que pelo visto não foi avisado dos planos do técnico vascaíno.

Antes da bola rolar, o Vasco já abria mão de ser protagonista.

Com apenas um minuto de jogo, Bruno Henrique errou uma finalização dentro da pequena área do Cruzmaltino, na cara de Fernando Miguel. Mesmo local onde faria o primeiro e bem próximo da marca do segundo, todos em finalizações livre e bem perto das redes.

Enquanto a equipe de Valentim transformava contra-ataques em bolas nos pés de Fernando Miguel para despachar para frente, num recuo incessante para o goleiro – o camisa 1 deu 26 passes no jogo, apenas cinco a menos que Lucas Mineiro, líder do Cruzmaltino no fundamento -, o time de Abel Braga pressionava a transição vascaína com cinco e às vezes até seis jogadores – Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique, Éverton Ribeiro, Willian Arão e em muitos momentos um dos laterais.

Ou seja, o Vasco mantinha a bola exatamente onde o Flamengo queria: em seu campo defensivo. E o povoava até recuperar ou forçar o erro. Com Marrony e Pikachu abertos pelos lados, Raul e Lucas Mineiro pouco combativos – como de costume – e Maxi e Bruno César com dificuldades para recompor, o meio vascaíno ficou exposto à boa movimentação adversária, muitas vezes ficando até em minoria.

O Vasco não achou nem a primeira bola, nem a segunda. Afundado em sua área, viu o ataque flamenguista concluir de dentro dela em 11 oportunidades. No jogo todo, o Vasco finalizou apenas cinco vezes, somente duas delas de dentro da área – a melhor delas, uma cabeçada de Marrony do bico da área, que triscou o travessão, já na etapa final.

Eram times em rotações distintas em campo. Foi um atropelo rubro-negro do início ao fim. Em momento algum o Vasco demonstrou poder de reação ou até mesmo de absorção das pancadas constantes do time da Gávea. O gol era uma questão de tempo ou de sorte. Restava saber o quão rápido correria o relógio.

As bolas vascaínas saiam da defesa em chutões mal direcionados para Maxi López, que, quando possível, tentava ao menos dominar a bola para o time sair de trás. Sem êxito. Ou então em jogadas individuais isoladas de Marrony pela esquerda. Nada de forma coletiva.

Pelo elenco montado, era previsível uma superioridade do Flamengo. Era, inclusive, uma obrigação do Rubro-Negro, pelo alto valor investido para montar seu time atual. A postura do Vasco, porém, não é nova. Não foi uma questão apenas de imposição técnica.

Contra Bangu e Avaí, e até mesmo contra os reservas do Fla na final da Taça Rio e nos jogos contra o Fluminense, a equipe de Valentim já havia assumido uma conduta mais passiva, de figurante, em certos períodos dos duelos. E, na época, alertei para o perigo de se fazer isso contra um time mais qualificado.

O risco, neste domingo, foi testado e confirmado durante os 90 minutos de jogo no Nilton Santos. O volume de finalizações (23) só não foi maior em razão da busca constante por infiltrações, já que o Vasco dava espaços, o que reduziram as tentativas de fora da área. Do contrário, teria sido um bombardeio ainda maior.

Quando precisou jogar, após sofrer o primeiro gol de Bruno Henrique num erro de rebatida de Danilo Barcelos, Valentim trocou a formação no meio, tirando Marrony, um dos poucos inquietos no ataque vascaíno, e colocando Yan Sasse. A mudança jogou Pikachu para a esquerda. Com dois pontas de pés trocados – Sasse canhoto entrou na direita -, o Vasco passou a perder também seus duelos pelas laterais, abrindo a porteira para o segundo e o terceiro gol. O primeiro, anulado pelo VAR. O outro, anotado após bola perdida de Cáceres na direita, que buscava um novo chutão após ser pressionado por Arrascaeta.

O Cruzmaltino jogou para empatar uma decisão que só ficará com a taça em caso de vitória. Enquanto Valentim pareceu optar por uma estratégia de 180 minutos, Abel quis definir nos primeiros 90. E ficou muito perto disso.

O time de São Januário não mostrou uma organização defensiva eficiente para segurar o rival e nem uma ideia de construção ofensiva, ao menos para o contra-ataque, capaz de transformar esse recuo em uma arma decisiva para uma estocada rápida em velocidade. Principalmente sem Rossi.

O Vasco foi apenas presa no primeiro jogo da decisão.

Ganhou aquele que, além de maior qualidade técnica, tomou a inciativa de ser o protagonista. Algo que tem faltado ao Vasco. E não é de hoje.

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