O problema nunca foi Ricardo Graça



Ricardo Graça perdeu a titularidade após goleada na altitude (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Dia 21 de fevereiro de 2018, o Vasco vai até Sucre e é goleado por 4 a 0 pelo Jorge Wilstermann. Ainda assim, avança nos pênaltis. É a última partida de Ricardo Graça como titular da equipe principal vascaína – jogou contra o Madureira, mas em duelo em que Zé Ricardo optou por atuar com os reservas.

A tortura aérea imposta pelos bolivianos pareceu fazer a sua primeira vítima. E, até o momento, única.

De destaque do início da temporada, Ricardo se tornou peça comum no elenco do treinador, muitas vezes ficando fora até mesmo do banco de reservas. E conforme os jogos vão se passando, fica nítido que o problema defensivo não era o jovem.

Antes da partida na altitude, com Graça na defesa, o Vasco havia sofrido seis gols em sete jogos. Todos os seis nas três primeiras rodadas do Carioca, quando o clube sequer havia um elenco definido. Nem o presidente.

Conforme as peças foram se encaixando, Ricardo e a defesa melhoraram, passando sem sofrer gols pelos três primeiros jogos da Libertadores e também no clássico contra o Flamengo. Mas tudo mudou após o jogo na Bolívia. Com a saída do defensor, também em sete partidas, o número de gols sofridos subiu de seis para onze.

Outro detalhe: dos seis gols sofridos antes do duelo contra o Wilstermann, com Ricardo em campo, apenas dois foram de cabeça. Agora, este número subiu para cinco em sete partidas – média de quase um por confronto.

O problema defensivo do Vasco no jogo pelo alto vai além da altura de seus zagueiros, talvez o principal ponto negativo de Ricardo, de 1,83m – Erazo tem 1,92m e Paulão 1,87m. Os erros começam na fragilidade da cobertura pelos lados, tantos dos laterais quanto dos volantes e meias, que permitem o levantamento, até ao posicionamento errado dentro da área.

No primeiro gol do Botafogo, nesta quarta-feira, por exemplo, era Ríos quem marcava Brenner. Ou ao menos tentava. De costas para a bola.

Com média de 2,2 desarmes por jogo, Ricardo tem a maior média de um zagueiro dos quatro grandes no Carioca. Na bola aérea, apesar da estatura baixa para a posição, tem o segundo maior volume de rebatidas entes os defensores, perdendo apenas para Paulão – 8,4 por jogo contra 10 do camisa 25. Graça tem ainda a segunda maior média de acertos de lançamentos entre os jogadores da posição, ficando atrás apenas de Rodolpho, do Flamengo – 1,9 x 1,8.

O problema nunca foi Ricardo Graça. Pelo contrário, talvez seja a solução. Ou parte dela.

* Dados do Footstats



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