Pragmatismo vascaíno



Vasco foi eliminado da Copa do Brasil pelo Botafogo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O futebol sempre teve um objetivo muito claro: o gol. Pode mudar a forma com que cada time chega a ele, o ímpeto que cada um tem durante os 90 minutos ou a necessidade dele em cada jogo, mas esse sempre será o grande momento do duelo. Ou deveria ser.

No Vasco, isso tem sido mais complexo. E isso ficou ainda mais claro nessa quarta-feira, quando o Botafogo, numa dessas raras partidas onde o gol não é necessário pra uma das equipes, precisou apenas se defender. A sensação que ficou foi de que nem com mais dois dias de bola rolando o placar sairia do zero em São Januário. Nem se a estátua de Romário ganhasse vida e entrasse em campo com o talento do Baixinho.

Veja bem, bolas não estufam as redes ao acaso. É necessário, no mínimo, um pouco de sorte para se fazer um gol. Mas a sorte só acompanha quem joga, quem tenta. Ninguém ganha na Loteria sem arriscar. E com exceção de um desespero final, já nos acréscimos, com Miranda virando meia e Fernando Miguel se tornando centroavante, em momento algum o Vasco se mostrou disposto a correr algum risco.

O que se viu foi um Vasco jogando uma partida decisiva de mata-mata com a passividade de quem espera o ônibus num domingo, sem hora pra chegar. Incapaz de sair do óbvio, rodando bola e esperando que um milagre a levasse até os pés de Cano.

O time tem uma ideia estruturada de saída de bola, uma tentativa de aceleração pelos lados, marca bem, mas no ataque não se detecta muita coisa. Nem numa partida onde qualquer loucura na tentativa de vencer poderia ser perdoada.

Ou seja, na hora de se buscar o gol, no momento mais decisivo, o Vasco parece não ter muita coisa além de abrir a bola pelos lados e torcer por uma jogada individual. Algo que ficou mais improvável de acontecer quando Ribamar foi escolhido para fazer essa função pela direita.

Talles, na esquerda, também pouco produziu. Vinícius e Catatau, que entraram no 2º tempo, apesar das dificuldades, ainda arriscaram um pouco mais. Por dentro, com Benítez mais adiantado que o comum, próximo de Cano e distante dos volantes, o meio teve dificuldades de superar um incansável Honda. E quando passou por essas primeiras barreiras, parou na sua própria, na falta de ações organizadas perto da área adversária. Principalmente ações coletivas.

O Vasco teve posse, teve campo, mas não buscou um passe vertical sequer para uma infiltração na área. Arriscou de fora da área em 10 das 14 tentativas que teve. E não foi por falta de paciência. Com 64% de posse de bola, o time teve tempo para trabalhar as jogadas, só não conseguiu. Pragmático, acabou eliminado pela própria incapacidade de gerar algo novo.

Não se mexeu, não mexeu o Botafogo e, obviamente, não mexeu no placar.

O 0 a 0 é por si só é um resultado constrangedor. Costumo dizer que é uma corrida sem largada, sem ultrapassagens, sem nada. É um jogo que nunca existiu.

Para o vascaíno, sem dúvida alguma, um jogo para esquecer.



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