O óbvio e o imprevisível



Vasco ficou indefeso contra o Atlético-PR (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Há no torcedor uma intensidade, um ânsia, que às vezes lhe cega. Não chega a ser um defeito, é simplesmente uma característica. Eu, particularmente, gosto disso. O apaixonado vive de extremos, de lágrimas e sorrisos, copos arremessados e outros virados, de alegria. É difícil aceitar o mediano.

Desde o início do Brasileirão, o cenário do Vasco era de meio de tabela. Pode não ser o que você, vascaíno, sonhava ou queria, claro, mas era – e é – o que o elenco permite. E é onde ele se encontra.

Ora, convenhamos: o que colocou o Cruzmaltino na mira de uma Libertadores não foi o futebol apresentado, mas sim a ampliação de vagas. Afinal, com a possibilidade de termos até um G9, a pergunta que fica é: quem não está na briga?

Não que a campanha do time, numa visão ampla, seja ruim. Ele esta exatamente onde se previa: no meio, lutando para não cair muito e brigando para subir o máximo possível.

A questão, o que incomoda, é a inconstância. E talvez até um pouco de logística.

Uma derrota sendo dominado pelo Santos, na Vila Belmiro, e uma vitória por 2 a 1 sobre o Atlético Paranaense, com um gol de falta nos acréscimos, como visitante, teria sido melhor digerida pelo vascaíno. O inverso, como ocorreu, não. Assim como vitórias sobre Atlético Mineiro e Vitória em casa e empates fora, dariam um outro sentimento ao seu torcedor. Mas aconteceu o contrário.

A verdade é que o Vasco joga muito quando se espera pouco. E vice-versa. Causando assim, de forma abrupta, um desconforto em sua torcida.

Neste domingo, contra o Furacão, a equipe de Zé Ricardo cometeu um erro primordial: anunciou, de antemão, que não jogaria bola.

Quando o treinador sacou Evander, o melhor do time nos últimos jogos, para a o retorno de Jean, deixou claro que abdicaria do ataque, apesar do discurso de posse antes da partida. Foi a prévia do insucesso. Sem a qualidade do menino no meio, o Vasco voltou aos chutões.

Foram 20 lançamentos errados no jogo, a maior marca desde o sofrível empate com o Vitória, no Maracanã.

Zé tentou fechar o meio com a entrada de mais um volante, mas se esqueceu dos lados. Por lá, o Atlético encontrou todo o espaço necessário para ameaçar o retraído Vasco. Paulinho e Wagner tiveram dificuldades para ajudar os laterais. Ao todo, os paranaenses levantaram 30 bolas na área vascaína. Em duas, estufaram as redes.

Como um tio que faz gol no sobrinho mais novo, Thiago Heleno pareceu sequer comemorar, tamanha a facilidade na hora de marcar o primeiro. Wellington ainda pediu falta, que não houve.

Já era fácil antes de inaugurar o placar. Era, claramente, uma questão de tempo para os donos da casa pularem na frente. Afinal, é impossível marcar gols sem atacar. Ou quase.

O gol único cruzmaltino, por sua vez, novamente saiu dos pés do terceiro maior artilheiro do time Brasileirão: o zagueiro adversário. Foi o quarto gol contra a favor do Vasco na competição. Nenê e Luis Fabiano têm cinco.

Era a única forma possível do Cruzmaltino estufar as redes no duelo, já que a criação foi nula durante os 90 minutos. Tanto que a segunda melhor chance, além do gol, nasceu novamente dos pés de Wanderson, que serviu Wagner, aos 16 minutos do 2º tempo. Sem sucesso.

Se o zagueiro rubro-negro tivesse mandado direto para o gol, talvez… Mas não foi.

O Vasco jogou muito abaixo, após ter atuado muito acima anteriormente. Uma cena repetida no campeonato.

Na balança, isso o coloca na área intermediária, de meio de tabela. Onde quase todos os clubes, aliás, se encontram. Mas de uma forma inquietante, de altos e baixos, e não sob a segurança do razoável.

Ao mesmo tempo que os tropeços com boas atuações deixam um sentimento de que a equipe poderia mais, as noites trágicas, como deste fim de semana, registram que o campeonato também poderia ter sido mais difícil. Principalmente com um elenco que sofre demais com o excesso de lesões.

A derrota por 3 a 1 para o Atlético-PR, neste domingo, definiu, de uma vez por todas, o óbvio: o Vasco de hoje é um time comum. Com ou sem vaga na Libertadores.

Entretanto, é um mediano que oscila, de 8 ou 80, nunca de 40. E isso torna tudo imprevisível.

Ninguém sabe qual Vasco disputará as duas últimas rodadas do Brasileiro.



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