O jogo dos 48 erros e o ataque estéril do Vasco



Marcos Júnior foi um dos que mais errou passes no jogo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Depois de assistir a atuação contagiante do Santos de Sampaoli no fim da noite de quarta-feira, tirando pra dançar o até então vice-líder do Brasileirão, o Palmeiras, acordei nesta quinta com um insólito Brasil x Senegal, às 9 horas da manhã, em Singapura. No horário da Ana Maria Braga. Sem tempo sequer para aprender um receita nova de broa. Nada. Direto pra peleja, ainda de roupão.

A atuação dos comandados de Tite, tão sonolenta quanto uma manhã de ruço em Petrópolis, parecia ser a abertura de um dia melancólico de futebol. Ao menos pra mim, que teria que encarar um Avaí x Vasco à noite. Um duelo previamente anunciado como sendo entre dois dos ataques menos eficientes do Brasileirão. A esperança? Era também o encontro entre duas das defesas mais vazadas, o que nos dá sempre a oportunidade de um festival de gols.

Era sabido, portanto, desde antes do café, que seria uma disputa de pouca beleza. Ou nenhuma. Um jogo de erros, como o Vasco fez questão de deixar bem claro desde o início.

Excessivamente defensivo, marcando o Avaí atrás do meio-campo – algo que não fez contra times mais qualificados, como Corinthians, Palmeiras, Atlético Mineiro e São Paulo -, errou 26 passes apenas no 1º tempo. A média do time no campeonato – em 45 minutos – era de 17. Ou seja, cerca de 50% a mais de falhas, mesmo tendo menos posse.

Acabou a partida com 48 passes equivocados, a segunda pior marca da equipe nesse Brasileirão. O recorde segue sendo de 50, exatamente contra o mesmo Avaí, no 1º turno. Rossi, antes válvula de escape, foi quem mais pecou, com oito erros. Marcos Jr, um dos responsáveis pela criação, encerrou logo atrás, com sete. Dois dos principais responsáveis pela saída rápida vascaína emperrados na transição.

Recuado e sonolento, o Cruz-Maltino viu os donos da casa dominarem as ações nos primeiros 45 minutos. Talles e Rossi não conseguiram frear as subidas dos laterais, enquanto que Raul, Marcos Jr e Richard pareciam numa rotação diferente do jovem ataque avaiano. Sem meio, Ribamar e Henríquez foram para o intervalo como os maiores ladrões de bola entre os vascaínos.

Sexto maior finalizador do Brasileiro – em volume, não em eficiência -, com média de 13 tentativas por jogo, o Vasco terminou a etapa inicial com míseras duas conclusões. E de baixíssimo risco para o gol defendido por Vladimir.

A atuação constrangedora da equipe mudou com as entradas de Andrey e Felipe Ferreira nas vagas de Raul e Talles Magno. O time passou a jogar num 4-2-3-1, com o ex-CRB jogando centralizado, Rossi indo para a esquerda e Marcos Júnior avançando pela direita.

O volume ofensivo subiu, mas capacidade de definir o jogo continuou a mesma.

Ribamar ganhou quase todas em velocidade. Muitas na força. Mas nenhuma no recurso. Foi bem até a página 2. Como já escrevi aqui outras vezes, é um atacante que se impõe fisicamente, nunca tecnicamente. Talvez fosse o caso de atuar pelos lados, com um finalizador à sua frente – como Tiago Reis -, mas Luxa segue insistindo num ataque estéril.

Somados, Rossi (30), Ribamar (16) e Talles Magno (2) ainda não tem 50 gols como PROFISSIONAIS. Sem ir muito longe, por exemplo: Gilberto, Artur e Fernandão, trio do Bahia, tem 44 só neste ano. E estamos falando do 7º colocado. Mais pra cima a distância é ainda maior.

Em média, segundo o Footstats, o Vasco precisa de 15 chutes para marcar um gol no Campeonato Brasileiro. O Avaí, de 20. Nesta quinta, foram 11 tentativas de cada lado e nenhuma na rede. Nunca os números foram tão precisos.



MaisRecentes

O ciclo completo de Marrony



Continue Lendo

O abraço de Coronel e Mané



Continue Lendo

Vasco pode garantir classificação para a Sul-Americana sem entrar em campo



Continue Lendo