O grande momento de Gabriel Pec no Vasco



Pec é o artilheiro do Vasco na temporada (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Já escrevi aqui algumas vezes sobre como a crítica negativa e o elogio possuem velocidades distintas. Um, é um ponta atual. O outro, um zagueiro da década de 40.

É cada vez mais comum ouvirmos pessoas pedindo calma na hora de enaltecer alguém, mas tendo pressa exatamente no momento da depreciá-las. Por algum motivo, ainda desconhecido por mim, elogiar virou crime e ter a mão pesada do julgamento passou a ser uma virtude.

Gabriel Pec é um bom exemplo disso.

Quando estreou em 2019, aos 18 anos, o garoto, que parecia vestir uma camisa três números acima do seu tamanho, já convivia com o olhar desconfiado de muitos. Alguns, inclusive, chegaram a decretar que ali não daria jogador, que era uma causa perdida.

A tentativa de aposentadoria já seria algo reprovável até numa crítica a um veterano, imagine para um menino. É como dizer para um estudante que ele não alcançará sua meta profissional sem lhe dar a sequer a chance de um vestibular.

Mas o campo fala. A bola, como boa enciclopédia que é, traz as respostas. Muitas vezes de forma rápida.

Pec voltou para a base em 2020, encorpou, ganhou confiança e amadureceu, como naturalmente acontece com qualquer pessoa, em qualquer profissão. Não está 100% pronto, como ninguém está aos 20 anos, mas vem subindo os degraus que suas rápidas e longas pernas alcançam.

Pec, hoje, não só é o artilheiro do Vasco na temporada com 5 gols em 10 jogos, como é também o líder em cruzamentos certos (7), interceptações (8), arremates no alvo (10) e assistências para finalização (11). Já estufou as redes mais vezes do que os vice-artilheiros do time em toda a temporada passada – Ribamar e Fellipe Bastos, com apenas quatro tentos.

Gabriel marca, cria e conclui com eficiência. Joga com e sem bola. Na direita, entendeu que precisa ir por dentro para abrir o corredor para o lateral. Na esquerda, como contra o Tombense, passou a fazer a diagonal nas costas de Cano quando o argentino sai da área. E assim marcou mais uma vez.

A fase é tão boa, que me atrevo a dizer que o garoto deve ser também o goleiro menos vazado do rachão, líder do torneio interno de FIFA e o melhor cozinheiro do grupo.

Pode ser que amanhã isso mude. O futebol é cíclico, como quase tudo na vida é. Mas enquanto isso não acontece – e pode ser que mude ainda para melhor -, Gabriel Pec merece todo o reconhecimento pelo o que tem feito.

Na mesma velocidade com que recebeu as primeiras críticas, o canhotinho vem superando os adversários e a velha desconfiança. E se mantiver esse ritmo de crescimento, chegará longe…

* Com números do Footstats



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