O fim do Carioca para o Vasco



Andrey foi um dos destaques do Vasco mais uma vez (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Convenhamos: Vasco e Madureira fizeram uma partida pra lá chata nessa quinta-feira, em São Januário. Pra dizer o mínimo. Principalmente no 1º tempo.

Aliás, já escrevi aqui mais de uma vez: jogo sem torcida é treino. Pode ser duelo de Champions, mata-mata, não importa. É treino. Não emplaca. Ao menos pra mim.

É bem verdade que o time de Ramon Menezes ainda tinha chance de classificação para a fase final da Taça Rio. Mas é verdade também que o próprio torcedor já se dava como eliminado desde os tempos de Abel Braga. É provável que o time também. E com razão. Pelo o que fez no começo, não merecia sorte melhor.

Por todo o contexto, Vasco x Madureira já seria um jogo desinteressante. Com o agravante de ser por uma competição que, curiosamente, só ganhou importância quando parou. Veja bem, apenas três coisas valorizaram durante a pandemia: álcool em gel, o abraço e o Campeonato Carioca.

De repente o Estadual virou uma grande disputa. Mas só nos bastidores.

Em alguns momentos, o contador de audiência da Vasco TV e o incessante balãozinho de doações geraram mais emoções do que os 45 minutos iniciais do jogo. Me atrevo a dizer que o jogo era ali, na disputa por uma nova renda, um novo formato. Válido.

Em campo, no entanto, o Vasco dava a entender que já havia desistido da vaga. Não pressionava, nem com e nem sem a bola. Com o Madureira retraído em seu campo, com 11 jogadores atrás da linha da bola, o Cruz-Maltino sofreu pra encontrar Vinícius e Pikachu com espaços pela direita. Na esquerda, com Henrique novamente mais fixo formando uma linha de três ao lado dos zagueiros, Benítez e Talles Magno seguiam buscando o jogo por dentro, facilitando a marcação.

Faltava movimentação, aceitar menos a marcação adversária. E quem diria que essa mobilidade viria com Bruno César? Ramon talvez dissesse, pois foi ele quem sacou Vinícius e colocou o meia em campo. Com Benítez indo para a direita, Bruno passou a ser o parceiro de Talles do outro lado. A esquerda ainda ganharia um pouco mais da presença de Henrique. Funcionou.

As mudanças equilibraram o Vasco, que passou a atacar pelos dois lados. Com isso, obrigou a defesa do Tricolor Suburbano a se movimentar mais e a ter que cobrir um espaço maior. Faltava apenas acertar a última bola.

Talles achou Benítez por dentro. Andrey encontrou Cano pela direita. Henrique cruzou da esquerda e Bruno César arriscou na sobra. Talles tentou de canhota, Andrey de direita, Lucas Santos também, Cano de cabeça… A melhora era clara e o gol questão de tempo.

Gol esse que só poderia sair dos pés do artilheiro argentino, autor de nove em 13 jogos no ano. Tento que começou com um lançamento de Bruno César e com grande participação de Raul, outro que entrou na etapa final. Um gol que significou pouco para o campeonato, mas muito para o time. O Vasco precisa readquirir a confiança, e não há forma melhor do que vencendo.

O fim do Carioca para o Vasco mostra que ainda há um longo caminho a percorrer, mas que Ramon sabe onde pisa.



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