O ‘fantasma’ Matías Galarza



Galarza ganhou seu espaço nos profissionais (foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Pode parecer estranho o fato de que, após Tiago Reis marcar três gols num mesmo jogo, o título dessa coluna não carregue o nome do artilheiro da noite. E é. Mas esse seria um texto óbvio demais, de exaltação do herói corriqueiro, o autor dos gols.

É que muitas vezes o detalhe não está na rede que balança, mas em seu entorno. Às vezes, não chega nem a tocar na bola. Foi o caso de Matías Galarza no terceiro gol vascaíno sobre o Bangu, na vitória da equipe por 4 a 2. O mais bonito dos tentos, diga-se de passagem.

Uma jogada que começa com uma bola longa de Andrey, passa por Cayo, Galarza, João Pedro, volta para Tenório e termina com Tiago completando seu hat-trick. De pé em pé, mas com muita cabeça.

É comum ouvirmos que o jovem paraguaio é “raçudo”. Pode até ser. Mas a verdade é que isso nem sempre é uma virtude. Correr errado é tão prejudicial quanto andar certo. Ou até pior! Não é o caso de Galarza. O garoto tem o equilíbrio: sabe para onde e quando correr. Controla tempo e distância, mesmo sem a bola. Esse é o seu diferencial.

Revejam a jogada do terceiro gol. Numa fração de segundo, após acelerar o jogo com João Pedro por dentro, o meia se lança ao ataque numa rota certeira e bem definida. Matías, ainda que sem carregar a redonda, leva com ele um marcador por dentro, possibilitando a chegada de Tenório com liberdade pela direita.



De quebra, ainda deixa um zagueiro sentado no bico da área, como se estivesse de castigo na escola. O defensor se lançou ao solo na certeza de que bloquearia o domínio do canhotinho. Galarza, porém, sabia da chegada do lateral pelas costas, – jogada que tem virado marca do time de Marcelo Cabo.

Desesperado, o outro defensor vai de encontro ao paraguaio, que seguia livre – ainda sem bola. Mas livre mesmo acaba ficando Tiago Reis, que marca novamente.



Como um fantasma, ainda que sem mover a redonda, Matías Galarza foi aterrorizando a defesa, forçando corridas e abrindo espaços. Sem tocar na bola, foi o responsável pela liberdade de Cayo e de Tiago.

Muito mais do que apenas raça, o menino mostrou inteligência. Mas isso já não espanta mais…



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