O esforço contínuo do Vasco para não sair do lugar



Ribamar entrou muito mal no jogo (Foto: Maga Jr/OFotografico)

A arquibancada diz muito mais sobre um time do que o próprio campo. Olhando para o gramado é possível analisar táticas, estratégias e ações, é verdade. Mas só enxergando o torcedor como parte do espetáculo que se entende por completo a grande valsa de sentimentos que é o futebol.

Mais de 18 mil vascaínos decidiram trocar a própria casa, numa segunda-feira à noite, no frio, por São Januário. Não por ter uma equipe dos sonhos, uma meta interessante na competição ou um grande ídolo para ver de perto. Nada disso. Havia ali apenas a vontade de reencontrar o time brioso e ambicioso que tinha enfrentado o Flamengo, num 4 a 4 histórico, poucos dias antes.

Quem foi à Colina, porém, foi recebido por um Vasco bem diferente.

Não pelos nomes, quase todos repetidos, com a exceção de Cáceres no lugar do suspenso Pikachu. Mas pela falta de clareza nas ideias de jogo. Se no clássico Luxemburgo entendeu a necessidade de pressionar a saída de bola do rival, colocando Rossi e Marrony por dentro, dessa vez o treinador deixou o Goiás livre para usar uma de suas principais armas: as bolas longas de Rafael Vaz e Léo Sena.

Foi exatamente a estratégia do Vasco contra o Fla, e que o próprio Esmeraldino utilizou no duelo com o time da Gávea no empate em 2 a 2, recentemente.

Foram 33 tentativas de bolas longas, sendo 14 completadas. Quatro delas, certas, saindo da canhota do zagueiro autor do gol do título vascaíno no Carioca de 2016. Duas nos pés de Leandro Barcia, que aproveitava a presença de Marcos Júnior como ponta e as subidas de Guarín para ficar no mano a mano com Danilo Barcelos.

Em uma delas, Fernando Miguel foi obrigado a ir até o bico da área para fazer a defesa. Em outra, amarelo para o lateral que acabou substituído no intervalo.

Definitivamente não era o mesmo Vasco.

Com Rossi de volta à direita, Marrony isolado no ataque e o colombiano saindo para criar – foi quase um 3º zagueiro contra o Fla -, o time mostrou as fragilidades defensivas costumeiras quando tenta propor o jogo. Os goianos conseguiram finalizar 19 vezes contra o gol cruz-maltino. Mais que o dobro do Flamengo quando marcou quatro vezes – foram apenas nove conclusões.

O 4-2-3-1 de alguns momentos, com Raul mais preso à defesa, colocou Rossi novamente como única válvula de escape. Como centroavante, fora da proposta de recuar para contra-atacar, Marrony jogou quase sempre de costas, anulando sua maior virtude: a velocidade.

Toda a ótima leitura de Vanderlei para o Clássico dos Milhões pareceu turva nesse duelo com o Goiás. Como se o time tentasse simplesmente impôr um estilo de jogo – que não é o seu -, independente do adversário. Isso dá para fazer quando se tem qualidade técnica e tempo. Não é o caso.

Mesmo quando vencia por 1 a 0, o Vasco dava sinais de que sucumbiria a qualquer momento. O aumento do volume nas arquibancadas, aos 43 do segundo tempo, não era a certeza da vitória tomando conta de São Januário, mas sim a tentativa de manter o time acordado até o fim. Não deu.

O gol de Oswaldo Henríquez, contra, aos 52 minutos do 2º tempo, após erro de Richard, pareceu ser o destino devolvendo o tento de Ribamar, aos 48, após ajeitada do zagueiro, cinco dias antes. Uma espécie de lei do retorno pelo futebol apresentado diante de seu torcedor. Como se precisasse reparar a euforia criada na rodada anterior com um choque de ordem, com crueldade.

Essa foi a 6ª vez no Brasileiro que o Vasco sofreu um gol decisivo após os 35 minutos da etapa final – Atlético-MG, Avaí, Fortaleza, Grêmio, Ceará e Goiás. São dez pontos deixados pelo caminho desta forma. Muito para quem precisa dar a vida para conseguir apenas um.



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