O erro de Diniz



Diniz sofreu sua primeira derrota no comando do Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

A saída de um zagueiro para a entrada de um atacante costuma ser o último ato de desespero do treinador numa partida de futebol. Uma espécie de cartada final, de tudo ou nada. Um derradeiro suspiro de esperança.

No Vasco, neste sábado, contra o Sampaio Corrêa, ela se tornou o batom na cueca de Fernando Diniz.

Quando, aos 14 minutos do 2º tempo, sacou Ricardo Graça para a entrada de Daniel Amorim, ficou claro o desespero. Mesmo com o placar zerado, um gol recém-anulado e o Cruz-Maltino com um jogador a mais em campo – Luís Gustavo havia sido expulso aos 43 da 1ª etapa.

O gol do Sampaio, seis minutos depois, encerrou qualquer dúvida sobre a arriscada estratégia do treinador: foi precipitada.

Tão precipitada, aliás, que nem começou na substituição. A mancha inquestionável já estava lá, só que mais discreta, menos óbvia, desde a volta do intervalo.

O Vasco retornou para o 2º tempo com uma postura diferente do 1º, o que é normal. Riquelme e Zeca viraram pontas, Pec e Morato foram por dentro, e a equipe passou a se posicionar num 3-2-5 na construção da jogada, com Marquinhos Gabriel e Nenê apenas no meio – às vezes somente o primeiro.

Na teoria parece ótimo, ofensivo, porém, na prática o que se viu foi um Vasco aceitando uma trocação franca contra um adversário nas cordas. Arriscado. Bastava uma no queixo para a luta virar. E ela veio.

A escolha de Diniz abriu um largo corredor que passou a ser explorado pelo rápido Pimentinha, uma arma dos maranhenses desde 2012 – com algumas saídas no período. Tão conhecido quanto a vulnerabilidade dos times de Diniz quando não consegue fazer o gol.

A saída de Graça para a entrada de Amorim só expôs ainda mais a defesa, que já vinha levando a pior nos duelos um contra um desde os avanços dos laterais. Não tinha 10 minutos que Ciel havia entortado Castán e obrigado Vanderlei a fazer boa defesa. Pimentinha repetiria a dose sobre Riquelme um pouco depois, ganhando o escanteio.

Velho calcanhar de Aquiles do time, não deu outra: o 26º gol de jogo aéreo sofrido pelo Vasco no ano. O 13º em escanteios.

O erro de Diniz não foi simplesmente trocar um zagueiro por um atacante. Essa foi apenas a marca mais nítida, de mais fácil visualização. O flerte do treinador com a derrota, no entanto, começou quando permitiu que sua equipe fosse mais impactada pela expulsão do que a adversária.

Não é um exagero afirmar que o Vasco jogou melhor no 11×11 do que no 11×10.

O Sampaio fez o seu jogo, até com mais facilidade. Finalizou certo cinco vezes no 2º tempo contra apenas duas no 1º. O Vasco, por sua vez, acertou apenas quatro em toda a partida, incluindo o pênalti perdido por Nenê, já no fim.

Boas chances, é verdade. Mas todas no abafa natural de quem tem um jogador a mais e está perdendo o jogo. Oportunidades que fizeram com que o goleiro Luiz Daniel deixasse o campo como um herói inquestionável.

O vilão do jogo, ao menos pelo lado vascaíno, no entanto, não tem defesa: foi Fernando Diniz.



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