O eficiente Vasco de Luxemburgo



Talles Magno entrou bem na partida (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Quem vai ao estádio ou liga a TV aguardando ansioso por um espetáculo do Vasco com a bola nos pés, ou passou os últimos anos congelado ou se desconectou da realidade recentemente. O time de Vanderlei Luxemburgo não foi montado para o show, o entretenimento. Não tem peças para isso. Mas tem sido eficiente e competitivo dentro de suas limitações. Que são muitas, mas que se escondem cada vez mais na organização imposta pelo seu treinador.

O vascaíno, mais consciente que qualquer outro, sabia que a tarefa fora de casa contra o atual campeão e líder não seria fácil. Portanto, já namorava desde cedo o empate, sonhando ainda no almoço com o apito final e o placar intacto. É natural. E até estatístico.

Desde 2015, quando ficou no 2 a 2 com o Cruzeiro no Mineirão, o time não pontuava como visitante contra o atual campeão brasileiro. Uma vitória não vem desde 2013, quando emplacou um 3 a 1 sobre o Fluminense, dono do título de 2012. Fora do Rio, um triunfo em cima do detentor da taça não ocorre desde 2005, quando a equipe comandada por Renato Gaúcho fez 3 a 2 sobre o Santos – campeão em 2004 -, na Vila Belmiro, com gols de Alex Dias, Anderson e Fernandinho.

O empate, portanto, contra o Palmeiras, no Allianz Parque, seria uma vitória. E foi.

Quando Marrony subiu para fazer 1 a 0, num cabeceio perfeito, de cima pra baixo, como se quisesse cravar ali a bandeira vascaína, a possibilidade dos três pontos até se tornou real. Era a eficiente bola parada cruz-maltina mais uma vez fazendo efeito.

Luxemburgo montou um Vasco que, se não é criativo e envolvente pelo chão, pelos problemas já conhecidos de elenco, tenta ter o máximo de eficácia na via ofensiva que lhe resta na ausência de Rossi, a sua principal válvula de escape: a bola parada. E tem funcionado.

Time da Série A com mais gols de falta na temporada, com cinco, a equipe agora é também a 5ª que mais vezes balançou as redes de cabeça neste Brasileirão, com quatro – Tiago Reis, Danilo Barcelos e Ricardo Graça já haviam marcado. Inclusive, é também a que mais finaliza certo desta maneira, com 16 cabeçadas no alvo – Athletico Paranaense e Fortaleza, com 14, aparecem em segundo no ranking do Footstats. Fruto do trabalho do técnico.

O Palmeiras, porém, respondeu mais rápido do que mãe contrariada. Aos 12, de pênalti – bem marcado -, empatou em cobrança de Gustavo Scarpa.

O susto inicial dos visitantes, largando na frente, somado ao rápido empate dos donos da casa, esfriou o jogo.

Com dois times de pouca posse, sem vergonha dos chutões e dispostos a parar o jogo antes da sua intermediária defensiva, pouco se criou com a bola rolando. Ciente de que o Palmeiras, ao contrário do Fluminense, adversário da rodada anterior, não pensaria duas vezes antes de rifar a bola numa pressão alta, Luxemburgo recuou suas linhas e aguardou o líder em seu campo.

Com dificuldades para construir de pé em pé – já não é de hoje -, a equipe de Felipão arriscou cruzamentos da intermediária (23) e chutes de média distância – seis de nove. Sem sucesso. Os vascaínos, por sua vez, sentindo a falta de seu rápido camisa 7, não conseguiam emplacar o contra-ataque. E o duelo se desenrolou brigado no meio-campo até o fim – foram 43 faltas na partida; a média do campeonato é de 26.

Antes do apito final, teve tempo também para Talles Magno justificar o pedido do Vasco pela sua liberação da Seleção Sub-20. A bola, que no 1º tempo bateu e voltou do ataque sem pudor, passou a parar mais nos pés e no peito do jovem atacante. Tanto que em 30 minutos no gramado, o garoto teve mais posse (2,46%) que Valdívia (2,39%) e Marquinho (1,99%), em 60, e Marrony (1,99%) e Bruno César (2,33%), em 90.

Nos últimos cinco jogos pelo Brasileiro, são três vitórias, um empate – com o líder – e somente uma derrota, aquela, para o Grêmio, no erro do VAR. Uma evolução não apenas de desempenho, mas também de resultados. O que é fundamental para quem quer, e precisa, subir na tabela.

Se ainda não é o Vasco dos sonhos do torcedor, ao menos já não dá mais pesadelos.



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