O drible de Talles Magno, a entrada de Felipe Ferreira e as variações do Vasco



Dribles espetacular de Talles em Gabriel Dias (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Ninguém pode dizer que Talles Magno procurou o drible – a lambreta que causou a expulsão de Gabriel Dias – apenas pelo fato do Vasco estar vencendo o Fortaleza. Talles está para o drible assim como o sol está para o Rio de Janeiro. É parte da identidade.

A foto acima, imortalizada por Rafael Ribeiro – fotógrafo oficial do clube -, não deixa dúvidas: o garoto flutua. E assombra.

Aliás, é um pecado chamar aquilo de lambreta. Foi uma Harley, confortável, suave e eficiente. Digna do passeio que o menino constantemente dá em São Januário. Mesmo quando está sozinho.

A ideia de Luxemburgo de atuar com quatro atacantes, dois abertos – Rossi e Talles -, um fixo – Ribamar – e outro flutuando – Marrony -, funcionou para conter os avanços do Fortaleza, pressionando a sua saída, mas não para o seu time criar ofensivamente.

O Vasco deu apenas um chute certo ao gol do Fortaleza no 1º tempo – com Marrony, de direita -, em cinco tentativas.

Apesar da liberdade dada a Marrony, Rossi e Talles recebiam pelas pontas quase sempre isolados. Com os laterais preocupados coma velocidade do ataque cearense, especificamente com Edinho e André Luís, os homens de lado se viam obrigados quase sempre a tentar a jogada individual e o cruzamento para área. Sem êxito.

Era um 4-4-2 que paquerava constantemente – e perigosamente – com um 4-2-4 quando tinha a bola no campo ofensivo. Apesar do alto volume de atacante, não havia quem pensasse o jogo no meio e se aproximasse do quarteto de frente.

Foi o mesmo que guardar um cofre no sótão e esquecer de colocar uma escada para subir. Era necessário fazer a bola chegar em condições.

Para abrir a defesa do Fortaleza, Luxemburgo mudou novamente o esquema, sacando Ribamar e colocando Felipe Ferreira em campo. Tirou o centroavante e pôs em campo um meia de criação, alguém com mais apreço pelo toque e mais qualificado para conduzir e se aproximar dos pontas. Marrony deu um passo à frente, mas sempre livre para trocar de posições com Talles e o próprio Felipe.

O Vasco deixou de ser um linha de totó no ataque, com 4 bonecos cordialmente enfileirados, e passou a ser uma equipe de aproximação e troca de passes curtos, de pé em pé. Muito também por conta da entrada de Fellipe Bastos, responsável por quatro desarmes e uma interceptação em apenas 45 minutos em campo. Quase todas no campo de ataque. Era a marcação alta que Luxa tanto cobrava, não só dos atacantes.

O time diminuiu o número de cruzamentos quase pela metade – de 20 no 1º tempo para apenas 12 no 2º – e dobrou o de finalizações – 5 para 10. Carimbou a trave duas vezes, com Rossi e Ferreira, e o camisa 7 ainda obrigou Boeck a fazer grande defesa.

Quase como um deboche, o gol vascaíno precisou sair da marca da cal, onde constantemente o time tem sucumbido. Era como se precisasse eliminar ali, novamente na frente de seu torcedor, o carma que o perseguia. Pikachu, que já havia perdido duas vezes – contra Flamengo e Cruzeiro -, dessa vez, porém, não desperdiçou.

Vitória justa, e que dá ao Vasco mais do que os três pontos: dá opções ao modelo de jogo.



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