O crime de Bangu



De pênalti, Pikachu fez o gol do jogo (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O Campeonato Carioca tradicionalmente nos apresenta alguns dos personagens mais simbólicos do futebol brasileiro. É o local do Sobrenatural de Almeida, de Nelson Rodrigues, do imponderável, do imprevisível, da mística das camisas, da praga de Arubinha, dos clássicos mais clássicos, mas também do montinho artilheiro – que já acumula mais gols do que Pelé – e, claro, do calor de Bangu.

Veja bem, quando se tem a presença do calor de Bangu, um elemento tão concreto quanto as arquibancadas de Moça Bonita, todo o resto no entorno se torna abstrato. Ele é o destaque, o craque e o personagem de todas as partidas em que participa. Daria inclusive entrevista, se possível fosse. E mesmo não falando, sempre está lá, presente, em todas as perguntas e respostas. Foi assim no Portuguesa x Vasco desta quarta-feira. Um olho no termômetro e outro do vendedor de água. No gramado, só ele, o calor de Bangu, camisa 10 e faixa, brilhou. E como!

É preciso entender que existe uma linha tênue entre o chamado raiz e o criminoso. Uma arquibancada sem poltronas ou bancos é raiz, uma com problemas estruturais é crime, por exemplo. Não há problema nenhum em se jogar em Moça Bonita, aliás, sou favorável que todos os pequenos estádios ganhem auxílio da federação do Rio – que recebe muito bem pelos jogos – para que voltem a sediar jogos contra os grandes. Faz parte do charme do campeonato. Agora, isso não pode acontecer às 17 horas do verão mais quente dos último 97 anos.

Nem videogame se joga no verão, às 17 horas, sem que se tenha um ar condicionado ligado desde às 12h.

Me atrevo a dizer que Bangu é um dos poucos lugares do mundo onde a água tem prazo de validade. Não porque ela estraga, claro, mas porque evapora. O suor escorre e antes de tocar o chão vira fumaça, como nuvem de história em quadrinhos. Um crime com jogadores, torcedores e até jornalistas. De tão quente, os vascaínos não correram nem para comemorar o gol de Pikachu, de pênalti, que definiu o placar.

O Vasco jogou bem e controlou a partida, dentro do que se espera no calor de Bangu (41ºC). Dominou, fez 1 a 0 no início do jogo e poderia ter ampliado, se não fosse o forte calor de Bangu. Foi combativo sem a bola- teve a sua maior marca de desarmes até agora no campeonato, com 16, segundo o Footstats -, como pediu Valentim, apesar do calor de Bangu. Qualquer análise que se faça, lá estará ele, o craque do jogo, o único a trabalhar em alto rendimento neste verão: o calor de Bangu.

Portuguesa e Vasco não se enfrentaram em Moça Bonita, eles sobreviveram.

Bangu, 41. Bom senso, zero.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone



MaisRecentes

No dia do aniversário, presente do Vasco vem da base



Continue Lendo

Vasco muda perfil de reforço para o ataque e já observa alguns nomes



Continue Lendo

As escolhas equivocadas de Luxemburgo



Continue Lendo