O clássico Evander



Evander mudou o meio-campo do Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Não sou muito velho, tenho apenas 32 anos, mas já vi uma quantidade razoável de garotos despontarem no futebol e sumirem antes mesmo que o som dos aplausos das arquibancadas cessasse. Pedro Renato, Hernande, Brener, Richardson…

Uns preferem ter cautela na hora de elogiar, eu, porém, acho não só justo como necessário. É preciso enaltecer também momentos, não apenas a obra pronta.

É o caso recente de Evander.

O que fez o menino nos últimos três jogos em que esteve em campo é, no mínimo, animador. Mais que isso: foi encantador.

Não apenas pela eficiência de suas jogadas, o gol, a bola na trave e a assistência, mas pela classe em cada toque dado. Evander tem, claramente, um ar diferenciado dos outros jogadores. É bonito vê-lo jogar, prazeroso.

Evander em campo, em grande fase, como agora, é quase uma viagem no tempo. Há um tom clássico em seu futebol, raro. Sempre de cabeça erguida, dribles curtos e passes longos. Apesar das passadas calmas, está constantemente à frente dos demais. Não fisicamente, mas mentalmente.

Evander é um pensador, daqueles que parecem não suar em campo – e muitas vezes foi criticado por isso, inclusive por mim. E talvez realmente não precise. Tudo para ele parece natural, não há esforço para o menino com a bola nos pés. Ao menos foi assim nos últimos duelos.

E isso não quer dizer que ele não corra, pelo contrário. O meia foi o maior ladrão de bolas do Vasco contra o Atlético Mineiro, com quatro desarmes, segundo o Footstats.

Na última crônica, comparei alguns de seus passes aos de Felipe, o Maestro. E não é exagero. Aliás, essa sempre foi uma de suas principais características na base, não é uma novidade. Faltava, porém, encaixá-los nos profissionais. E tem conseguido.

Evander parece ter entendido que só talento não basta, é preciso algo mais. E tem entregue isso. O menino que piscava em campo, agora é luz o tempo todo. Principalmente em um meio que andava às escuras, como o do Vasco.

Nos 130 minutos em que esteve em campo, contra Santos, São Paulo e Atlético Mineiro, Evander marcou um gol, deu um passe para outro, finalizou em dez oportunidades – quatro certas -, desarmou oito vezes e deu sete assistências para finalização.

Em resumo, nas últimas partidas, o camisa 7 defendeu como Jean, criou como Nenê e atacou como Paulinho. Tudo isso como volante. E é aí que está o grande lance de Zé Ricardo, e que foi tentado por Cristóvão Borges no início do ano: Evander não mais apenas assiste ao jogo, ele agora o orquestra, pensa, participa.

Evander tem se portado como um pintor inspirado, com uma grande tela em branco à sua frente. Sem a pressa dos meninos e com a categoria de um veterano, Evander inicia sua própria obra.

Ninguém tem bola de cristal para dizer onde ele estará daqui há dez anos, porém, quem viu as pinturas que saíram de seus pés nos últimos jogos, certamente se interessou pelo desfecho deste quadro.



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