O ciclo da vida no Vasco



Guilherme Costa e Paulo Vitor brilharam na goleada (Foto: Divulgação/Vasco)

Guilherme Costa e Paulo Vitor brilharam na goleada (Foto: Divulgação/Vasco)

“Difícil é lidar com a morte. Quando alguém nasce, só podemos agradecer e festejar”.

Essas foram as primeiras palavras do meu pai quando eu lhe disse que ele seria avô. Poucos meses antes, minha avó havia falecido. Achei uma explicação bem simples de como devemos – ou gostaríamos – agir frente ao ciclo da vida.

Carrego isso comigo desde então.

E é este momento de perdas e ganhos que vejo hoje no Vasco.

Um dia após receber a notícia da saída de um de seus principais jogadores, Douglas Luiz, que está se transferindo para o Manchester City, seus torcedores acompanharam o nascimento de novas promessas entre os profissionais.

Jovens que já estavam ali, disponíveis, mas que por algum motivo não vinham sendo aproveitados – isso, apenas Milton Mendes poderá responder. A data, entretanto, pedia esse resgate da esperança desde a sua base. E veio.

O vascaíno que acordou enxugando as lágrimas pela despedida do volante, agora usa o mesmo lenço para traçar um novo time com Guilherme Costa, Paulo Vítor e Paulinho.

Riso e choro dividem a mesma tela branca.

Talvez o torcedor use até as partes molhadas para marcar o círculo central em seu campo de papel, vai saber.

Certo é que a goleada sobre o Vitória, por 4 a 1, reativou a confiança da torcida, explodida em meio às bombas arremessadas em São Januário no último fim de semana. Algo mudou.

Não é normal para o vascaíno se sentir com sorte.

Quase sempre o golpe favorável do destino vem seguido de dois ou três toques por trás, que o derruba. Portanto, quando o chute de Escudero bateu em Kanu e entrou, abrindo o placar no Barradão, o cruzmaltino automaticamente se colocou à espreita do acidente que lhe tiraria mais uma vez os três pontos fora de casa.

E o time se portou também como se esperasse por isso.

Atuando basicamente atrás do meio-campo, o Vasco se postou todo na defesa, mas sem a fome de conquistar a bola que deveria ter para ser menos pressionado.

Para um time falível como o de Milton Mendes, acreditar na vitória de 1 a 0 é confiar muito pouco no poderio de seu adversário. Apesar da boa posição no campeonato, a defesa segue sendo a pior da competição.

Fosse ela um objeto esportivo, seria uma faixa de chegada, ultrapassada por todos aqueles que se esforçam um pouco mais.

O gol de Kanu trouxe à tona um realidade já conhecida, onde o time consegue a vantagem, porém, se mostra incapaz de mantê-la. Em seguida, entretanto, os ‘partos’ realizados por Milton Mendes deram bons frutos.

Com poucas opções no banco, o técnico voltou a utilizar Guilherme Costa e Paulo Vítor, além de possibilitar a estreia de Paulinho, de 16 anos. Os três foram responsáveis por dois gols e duas assistências em menos de 30 minutos, garantindo o triunfo vascaíno.

O trio mostrou algumas virtudes que só cabem aos jovens, como DG: objetividade, explosão e, principalmente, impetuosidade.

Cabe agora ao treinador cuidar para que seus filhos sejam cada vez mais presentes e menos embrulho de elenco. Não só estes, mas também Caio Monteiro, Bruno Cosendey, Ricardo Graça, Robinho…

Toda perda é irreparável. A de Douglas, tecnicamente, para o Vasco, certamente é. Mas todo nascimento é belo, como o gol de Paulo Vítor, a assistência e a insistência de Guilherme Costa, a dedicação – enfim – de Thalles e  a estrela de Paulinho.

No ciclo da vida, o Vasco mostrou que ainda é fértil.



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