O ciclo completo de Marrony



Marrony marcou seu 10º gol no ano (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Quando Marrony subiu mais alto que Nino Paraíba para fazer Vasco 2 a 1 sobre o Bahia, em São Januário, no fim de setembro do ano passado, o atacante estava apenas em seu 5º jogo como profissional. Era um menino alto, magro, com cara de moleque e um bigode miúdo com um quê de Sabará – histórico artilheiro vascaíno.

Pouco mais de um ano depois, com a mesmas pernas finas e traços de menino, o camisa 38 repetiu a dose sobre os baianos. É como se Marrony completasse, ali, na Fonte Nova, o seu primeiro ciclo profissional. Um reencontro com a sua vítima inicial para, mais uma vez, lhe beijar a testa antes do golpe derradeiro.

Mal debutou e garoto já completa 70 partidas entre os adultos. Já foi ponta, centroavante, atacante por dentro, flutuando por trás do 9, pela esquerda, pela direita… É opção de jogo em velocidade, pelo alto e pelo centro. Não é infalível, mas é de uma inquietude exemplar.

Quando Ricardo Graça foi expulso – exageradamente – ao cometer pênalti em Gilberto, Marrony virou peça-chave na reorganização proposta por Vanderlei Luxemburgo. Exatamente por sua capacidade de circulação.

Ao invés de sacar Ribamar e colocar um zagueiro, como se faz quase sempre após a expulsão de um defensor, o treinador preferiu recuar Richard para a zaga, lançar Pikachu na lateral – começou na ponta – , e tirar o camisa 38 do ostracismo na esquerda para flutuar pelo meio.

Marrony entrou no jogo e, automaticamente, o Vasco deixou de ter um a menos e passou a ter a mais.

Marcos Júnior e Fellipe Bastos – líder de desarmes (2) e 2º em passe certo (53) – deram a consistência que faltava ao meio, enquanto que Marrony garantiu a mobilidade ofensiva. A bola começou a ficar mais nos pés vascaínos.

Os 42% de posse de bola no 1º tempo se tornaram 55% no 2º. Já as finalizações subiram de dois para oito. Faltava só o gol.

No instante em que Gabriel Pec recebeu de Andrey na esquerda, quando o relógio marcava 39 da etapa final, Marrony já corria apontando onde queria a bola. O gesto mostra que o menino, antes tímido e quieto, já sabe o que quer em campo. E como quer.

Saiu três metros atrás do marcador, ainda na intermediária, e chegou livre na marca do pênalti para corrigir, de canhota, o placar até então mentiroso.

Marrony não é craque. Talvez nunca se torne um. O que em nada diminui as suas qualidades. Craques são raros, apesar da banalização recente da palavra. Nota-se, porém, que é uma pedra bruta que vem sendo constantemente lapidada e que já é capaz de brilhar.



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