O ‘chef’ Milton Mendes



Milton Mendes estreou no Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Milton Mendes estreou no Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Se eu e você preparamos duas feijoadas com os mesmos elementos, poderemos ter dois pratos completamente diferentes. O tempero será outro, o tempo de cozimento, a quantidade de cada carne, sal, gordura, acompanhamentos…

A questão não é apenas o que se tem para criar, mas a forma com que usa as partes. O modo de preparo.

Batata no óleo quente é frita. Amassada, é purê.

É possível cozinhar duas coisas diferentes com os mesmos ingredientes? Milton Mendes mostrou que é.

Em sua estreia pelo Vasco, contra o bom Madureira, o treinador usou como base a mesma receita de Cristóvão Borges: o 4-2-3-1. Base, eu disse. Em campo, entretanto, desde o início, foi possível sentir o time com um aroma diferente, um leve toque de inquietação que vinha faltando.

Um prato em construção, é bem verdade. Mas com um paladar um pouco mais prazeroso, uma textura mais homogênea. Menos desagradável, por que não?

Foram três jogadas ensaiadas em apenas 13 minutos de bola rolando.Qualquer desavisado que passasse por São Januário neste período poderia achar que era algo trabalhado há tempos. Não era.

Foi uma espécie de entrada do ‘chef Milton Mendes’ para se apresentar ao torcedor vascaíno.

A simplicidade da mudança deixa clara a carência anterior da equipe. Um mero escanteio se tornou recorte de uma alteração positiva. Uma triangulação, ainda que errada, em cobrança de falta, mostrou que é possível arrancar um pouco mais do grupo.

Basta saber temperar.

A morosidade ainda sai lentamente do time, como uma velha mancha de gordura na camisa. Mas já dá para sentir seu cheiro ao escorrer. Para acabar com ela, Milton Mendes precisará também do trabalho de Flávio Trevisan. Os atletas cansam rápido.

E não, não é apenas por causa da idade. Falta preparo. Ao modo que preferir…

Teve uma pitada de pressão na saída de bola – principalmente com Yago Pikachu na direita -, ensaios nas bolas paradas, menor exposição defensiva, cobrança individual constante à beira do campo e entrega. Mais física do que técnica, mas já é algo.

O gol da vitória mostra bem os novos temperos que Milton Mendes pretende utilizar: acreditar até o fim da jogada, ter tranquilidade para tomar a decisão correta, fazer a leitura certa do lance – Pikachu jamais ganharia de Jorge Fellipe pelo alto – e definir com velocidade. Simbólico.

Não foi um Vasco constante. Foi um Vasco com leves toques diferentes. Porém, ainda bem distante de ser um Bacalhau à Gomes de Sá. Ainda carrega o gosto de algumas panelas antigas.

Como todo bom prato, requer tempo… A primeira prova foi servida.



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