O ‘anti-gol’



Breno fez boa partida contra o Atlético-GO (Foto: Nelson Costa/Vasco)

Breno fez boa partida contra o Atlético-GO (Foto: Nelson Costa/Vasco)

Escrevi, no último fim de semana, sobre como Vasco e Botafogo fizeram uma partida com cara de 0 a 0, mas com um gol. Uma espécie de salada sem graça, mas com uma pequena lasca de bacon para dar um gostinho.

O duelo do Cruzmaltino com o Atlético Goianiense, desta quarta-feira, por sua vez, seguiu a mesma linha, porém, com um agravante: a rede só foi balançada através de um gol contra.

Se buscássemos uma nomenclatura mais justa, é possível que a definição desse placar fosse ‘menos um a zero’. Um resultado onde ninguém fica positivo, e apenas um negativa. No fim, daria no mesmo, mas considero a simbologia importante.

O ‘-1 a 0’ é muito mais significativo e ilustrativo que o um a zero. Entende-se, por assim dizer, melhor o que foi a partida. Conta uma história mais real do que foi o jogo.

Foi um duelo de dar inveja a muitos WOs, eu diria.

Uma prova disso é que a jogada mais relevante no duelo foi um erro. Um ‘anti-gol’. Uma antítese do que se espera quando o jogador balança as redes. A lágrima que escorre pelo rosto do fatídico artilheiro naquele instante não é de alegria, mas sim um misto de vergonha e cólera que só este lance proporciona. É, comumente, um momento individual e intransferível. Uma dor solitária.

É um momento mais triste do que feliz. O adversário, que recebe o gol, ostenta uma alegria quase que constrangedora.

O único perigo dentro da área, no momento do cruzamento de Andrés Rios, era o próprio lateral Jonathan, que empurrou para as redes com a raiva de um lutador de boxe. Ímpeto este que faltou a Mateus Vital, quando teve a chance de ampliar, pouco depois, após excelente avanço de Madson. O meia, porém, trotou em direção à bola enquanto o mesmo Jonathan corria para bloquear. E bloqueou.

Uma prova clara que, tal qual a mão, o pé que dá também é o mesmo que tira.

Os minutos seguintes após o gol foram uma verdadeira demonstração de um futebol prosaico, insosso. De ambos os lados.

Nem o Dragão mostrou forças para empatar, e nem o Vasco de querer ampliar. Aliás, algo comum no Cruzmaltino. Neste Brasileiro, apenas uma vez o time venceu por mais de um gol de diferença – 4 a 1 no Vitória, na 13ª rodada.

Uma amostra clara do baixo interesse ofensivo pelo lado vascaíno é que Breno foi o jogador que mais tocou na bola, com 66 passes certos, seguido por Ramon, com 50, e Wellington, com 44. Todos jogadores de defesa. Contra o Botafogo, Vital, por exemplo, apareceu em segundo no mesmo ranking. Agora, foi apenas o 4º.

A notícia boa aos vascaínos fica por conta da mudança de ares. Jogar mal e vencer com um gol contra parecia um roteiro único e exclusivo de seus adversários. Agora, também é seu.

Ganhar com um gol contra não é demérito nenhum. Porém, com o futebol pouco inventivo apresentado, também não é uma grande virtude.

Para o campeonato, os três pontos é que contam. Mas que Zé Ricardo não olhe apenas por esse viés.

Ainda é preciso mais futebol para não depender sempre do acaso.

* Dados estatísticas do Footstats



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