O alerta no Vasco soa cada vez mais cedo



Maxi fez o gol do Vasco na derrota por 2 a 1 (Marcelo de Jesus/Raw Image)

Foi um péssimo jogo entre Vasco e Atlético Mineiro – 1 a 2. De ambos os lados. Tão ruim que um amigo chegou a me mandar uma mensagem sugerindo a antecipação do horário eleitoral gratuito. Tive que concordar.

Foram 81 passes errados- 46 e 35, respectivamente – e apenas oito finalizações na direção do gol – quatro pra cada lado – em 90 minutos de bola rolando. Muito pouco para dois times que precisavam mostrar ao menos um pouco de futebol após um início de ano conturbado. Ninguém o fez.

Em São Januário, no entanto, a temporada parece ainda estar no início.

Em seu primeiro jogo em casa pelo Brasileirão, quando deveria estar apresentando um time encorpado e entrosado, em ascensão, o Vasco entrou em campo com um técnico interino, Fellipe Bastos fazendo sua estreia como titular em 2019, Cláudio Winck atuando pela primeira vez durante 90 minutos, Henrique retornando após um mês e meio, Andrey idem, e Valdívia, que não jogava desde novembro do ano passado, entrando para resolver um dia após ser anunciado oficialmente.

Marcos Valadares ainda abriu mão dos três zagueiros adotados nos dois jogos anteriores, e pôs Marrony e Pikachu em lados invertidos. Parecia uma estreia de Estadual, cheia de testes e novidades, mas era apenas o Vasco caminhando para a sua segunda derrota em dois jogos no Brasileiro.

A diretoria do Vasco, em seu balanço patrimonial divulgado nessa terça-feira, fez questão de salientar a baixa adesão de sua torcida aos planos de sócios do clube. Justo, realmente é pouco. Entre as 12 equipes mais tradicionais do país, apenas o Botafogo arrecada menos – 9,8 x 9,5 milhões de reais. O Flamengo, maior rival do time de São Januário, teve mais de R$ 60 milhões de receita através do sistema.

Bastaram cinco minutos de bola rolando, porém, para entendermos o motivo. O afastamento do torcedor não é a causa do problema, mas sim a consequência de um futebol desorganizado e com um planejamento sem convicção. Com somente R$ 400 mil a mais por ano com sócios, segundo o mesmo balanço, o Santos não passa pelos mesmos problemas de montagem de elenco, valorização de jogador da base ou de identidade de trabalho.

escrevi aqui no fim de semana: o Vasco gasta mais com salários de jogadores do que o Athletico Paranaense, por exemplo, campeão da Sul-Americana. Mais também do que Bahia, Chapecoense, Ceará, Botafogo e Fluminense, que ficaram à sua frente no último Brasileiro. Bem mais do que Goiás, Avaí, Fortaleza e CSA, que subiram da Série B e já pontuaram no campeonato, enquanto que o clube carioca ainda não saiu do zero, mesmo encarando um Atlético quase inofensivo.

Ou seja, não é apenas falta de dinheiro, é capacidade para gerir os recursos. O elenco inchado, com mais de 40 atletas, e pouco qualificado é reflexo disso. Mas esse mea-culpa a diretoria não faz. E nem parece que fará.

Quase metade da temporada já foi disputada e o time não tem técnico e nem brechas na folha para mais reforços. Agora, o clube foi às pressas no mercado contratar um goleiro reserva para suprir uma saída que foi acertada ainda em dezembro – a de Martín Silva. Após dois jogos com o menino Alexander no gol, de 19 anos – o goleiro mais jovem a atuar pelo clube neste século -, o Vasco resolveu contratar, e trouxe Sidão, de 36.

Isso seis meses após Alexandre Faria, diretor executivo do clube, dizer que a posição não era prioridade.

Aparentemente, passou a ser.

Antes disso, contratou três volantes – Fellipe Bastos, Lucas Mineiro e Marcos Júnior – e renovou com outros três – Bruno Silva, Luiz Gustavo (que também atua como zagueiro e lateral) e Willian Maranhão -, mesmo já tendo Andrey, Raul e os promissores Caio Lopes e Bruno Gomes, do sub-20, além de Bruno Ritter e Rodrigo.

Prioridades.

Ainda assim, os dois gols do Galo nasceram em finalizações da entrada da área, numa marcação frouxa na intermediária defensiva que que tem sido comum no ano. Com mais de um time de volantes, o Vasco ainda não achou o seu primeiro. E talvez nem ache. Ao menos não no atual elenco.

Com disse, foi uma partida sofrível de ambos os lados. A vitória atleticana nasceu exatamente na qualidade individual que seu elenco tem e que ao Cruz-Maltino falta. De onde Elias e Chará acertaram seus chutes, Yan Sasse, Andrey, Lucas Mineiro, Cláudio Winck e Yago Pikachu também tiveram suas oportunidades, mas não marcaram. Sequer chegaram perto.

Não é nenhum absurdo dizer que o Vasco foi mais organizado e agressivo que o Galo, mas apenas após sair perdendo. Com 30 minutos da etapa final, no entanto, já se arrastava em campo como se fosse a última partida da temporada.

O Brasileirão já começou e o ano vascaíno parece que ainda está em pré-temporada, com o time aguardando um treinador que lhe apresente um novo rumo, com grande parte do elenco sofrendo de problemas físicos, seja por excesso ou por falta de jogos, sem uma equipe titular definida ou até mesmo uma sistema tático ou metodologia de trabalho.

O Vasco ainda está em um período de experimento enquanto que todo mundo está em evolução. Com dois jogos, já vive a pressão do rebaixamento, algo que o acompanha quase que diariamente desde 2008, quando o torcedor sentiu pela primeira vez o gosto amargo de ser mortal.

O medo, desde então, passou a ser real. E o alerta soa cada vez mais cedo.

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