O abraço de Coronel e Mané



Coronel e Garrincha em um dos muitos duelos no Maracanã (Foto: Arquivo)

Não se sabe ao certo onde e quando nascem as amizades. São variadas as formas e os locais onde surgem o sentimento. Talvez essa seja a relação mais subestimadas da vida: acontecem ao acaso, terminam sem aviso prévio, mas são insubstituíveis enquanto permanecem.

A de Garrincha e Coronel nasceu em alguns poucos metros na ponta direita do imenso Maracanã. Um latifúndio para Mané, um grande sonho para ‘Coroné’.

Sim, um sonho. Coronel amava Mané como todo o Brasil. Queria abraçá-lo. Se sentia um privilegiado por estar ali.

O Coronel do Vasco, se tornou também o Coronel de Garrincha.

O botafoguense precisava de um obstáculo sólido e leal para buscar seus dribles. Quase um companheiro de dança. O seu melhor ‘João’. Coronel, por sua vez, necessitava parar um craque, ainda que na força, para se tornar eterno. Encontrou o melhor de todos.

“Nunca dei um pontapé nele. Como faria isso a um amigo?”, dizia o lateral sobre o ponta.

“Eu ia me sentir mal se ele perdesse o próximo jogo por minha causa. Ao invés de bater, lhe puxava a camisa”, relatou em uma entrevista ao Globo Esporte há alguns anos.

E assim foram, por mais de uma década – de 55 a 64 -, companheiros-adversários em campo. Fora dele, amigos de vida.

Vida essa que terminou para Coronel na madruga dessa quinta-feira, aos 84 anos. Vida que também levou Mané precocemente aos 48. Números espelhados como se encarassem frente à frente em campo. Complementares.

Coronel e Garrincha agora poderão se abraçar novamente. Dessa vez, para matar a saudade.



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