Nem Cano salva o Vasco da pior atuação com Ramon Menezes



Cano marcou duas vezes, mas só um valeu (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

O Vasco fez a sua pior partida sob o comando de Ramon Menezes. Não apenas pela derrota por 2 a 1 para o Atlético Goianiense, em São Januário, mas pelos 90 minutos em que a equipe foi sufocada e, pela primeira vez nesse Brasileiro, bombardeada. Não é apenas uma opinião, os números comprovam.

Fernando Miguel precisou realizar cinco defesas na partida, sua maior marca nesse Brasileiro. Quatro delas em finalizações de dentro da área, o maior volume até então. Das 13 conclusões dos goianos, apenas duas foram bloqueadas pela defesa, a pior marca da equipe no campeonato. Em resumo, nunca o Vasco esteve tão exposto, frágil.

Muito por conta das escolhas de Ramon.

Marcar não é uma responsabilidade apenas dos zagueiros e laterais, como muitos ainda pensam. A marcação, cada vez mais, começa no ataque. E nesse Vasco isso vinha sendo fundamental.

Foi assim que Gabriel Pec roubou a bola antes de sofrer a falta que originou o segundo gol de Fellipe Bastos, contra o Sport. Foi assim também que Benítez desarmou e iniciou o contra-ataque que resultou no gol de Cano, no triunfo sobre o São Paulo. Da mesma forma, novamente com o camisa 10, nasceu o primeiro gol contra o Ceará. Até na derrota para o Fluminense, por 2 a 1, o tento de Talles Magno começou num erro forçado pela pressão de Ribamar. Contra o Athletico, apesar do roubo no campo defensivo, foi Talles Magno quem recuperou.

Ramon, porém, dessa vez optou por iniciar o jogo com Bruno César na vaga de Benítez, poupado, e colocar Carlinhos pela direita ao invés de Catatau, titular nas duas últimas partidas. De uma só vez, o treinador tirou dois jogadores de velocidade e fortes na marcação, para a entrada de dois meias de cadência, de toque. Isso não afetou apenas o ataque, mas principalmente a defesa.

Com Talles Magno liberado para atuar centralizado, junto de Cano, e Bruno César com dificuldades para recompor em velocidade, Henrique sofreu para conter o rápido Janderson, que o tirou da linha defensiva diversas vezes. Para diminuir o problema, Andrey tentava fazer a cobertura pela esquerda. Resultado: abria o meio, já que Fellipe Bastos também não voltava em velocidade. A mesma coisa com Carlinhos e Pikachu na direita.

Ou seja, bastou a linha média afrouxar a marcação para a defesa se desorganizar de uma forma que ainda não havia acontecido nesse Brasileirão. Além disso, a pressão do Atlético com três homens na saída – Kayzer, Chico e Janderson – ia diretamente no calcanhar de Aquiles do time.

Desde o início do Brasileiro, Ramon tenta criar um Vasco que sai com a bola nos pés, sem chutão. Já havia sofrido antes, mas nessa noite, sem a dinâmica de Benítez, foi completamente neutralizado. A ponto de Fernando Miguel voltar a bater pra frente os tiros de meta já que a equipe não conseguia sair limpa para o ataque. Só no 1º tempo, Fellipe Bastos errou oito passes e três lançamentos. Acabou saindo no intervalo para a entrada de Bruno Gomes, que melhorou A transição. No entanto, a lesão de Andrey um pouco depois deixou o meio-campo mais uma vez pobre de ideias e de força.

As dificuldades ofensivas eram conhecidas, mas a organização defensiva vinha sendo a grande arma do ‘Ramonismo’. Era o que possibilitava Germán Cano decidir em apenas uma bola. E isso quase aconteceu, quando o argentino abriu o placar na sua primeira chance clara. Mas o Atlético foi muito superior. Mereceu a virada. Com requintes de crueldade, com Renato Kayzer, o artilheiro desprezado da base vascaína, marcando duas vezes de cabeça – já havia anotado sobre o Fluminense da mesma forma – em falhas de Marcelo Alves e Talles Magno.

Dessa vez, nem Cano salvou – apesar do VAR ter impedido o gol de empate.



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