Não há paz sem vitória



Henrique atuou como meia (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Já acompanhei velórios mais animados e empolgantes que o Botafogo x Vasco desta terça-feira. Uma partida tão agradável quanto caminhar com a sunga molhada e cheia de areia na saída da praia. Convenhamos, aliás, que um clássico numa terça à noite é um convite ao fracasso por si só.

Não que, neste caso, fosse fazer muita diferença se ocorresse num tradicional domingo de sol no Maracanã. Talvez, nem em caso de mata-mata seria possível extrair algo dos rivais cariocas que não sono e erros. Pois foi exatamente o que se teve.

O Vasco, que é o assunto pertinente aqui do blog, em pleno outubro, após contratar 22 jogadores no ano, entrou em campo com três laterais-esquerdos. Uma clara homenagem a Celso Roth, creio eu. Dois deles atuando como meias, num prenuncio certeiro de insucesso.

Fabrício e Henrique, dois jogadores que não conseguem se firmar na posição de origem – a lateral -, eram os responsáveis pela criação de um time que, habitualmente, tem a capacidade inventividade de um brócolis. É como se o time de 1997 tivesse César Prates e Fabiano Eller na armação das jogadas. Só que sem o restante da equipe.

E olha que estou falando de 97… Imagine fazer isso num elenco frágil como o de 2018.

A verdade é que é inadmissível que, passados quase dez meses, o Vasco não consiga sequer ser um time ruim. Isso porque sequer é um time ainda. Alberto Valentim tem conseguido a façanha de piorar a herança deixada por Zé Ricardo e Jorginho, que já não era muita.

Do pouco que ficou, nada foi aproveitado.

A equipe não tem a velocidade pelos lados, que tinha com Zé, e nem as viradas de jogo rápidas, característica do time de Jorginho. Contra o Botafogo, não teve nem ao menos o pivô de Maxi López, um estilete pontiagudo em meio ao estéril ataque cruz-maltino, uma arma solitária de um batalhão covarde.

Recheado de laterais-meias, o Vasco de Valentim se pôs a errar mais cruzamentos que taxista com gringo no carro. Foram 23 de 25 tentados, segundo dados do Footstats. Um aproveitamento de apenas 8%. Na defesa, uma equipe tão exposta que obrigou Andrés Ríos a deixar o gramado como o maior ladrão de bola do time, com quatro desarmes. Porém, nenhuma finalização em gol.

No Vasco de Valentim, o lateral arma, o atacante desarma e quem chuta é o volante. Torto, é verdade, como foi a tentativa de Willian Maranhão que parou nos pés de Maxi para empatar o jogo e impedir mais uma derrota vascaína. Um gol tão pouco trabalhado quanto aparenta ser o time em campo.

Passadas 28 rodadas, o Vasco tem menos pontos (31) que a Ponte Preta no mesmo período, em 2017 (32), quando acabou rebaixada. A saída da zona de rebaixamento, neste momento, aparenta ser mais uma última enchida de pulmões antes do afogamento do que uma escapada para a salvação. E, com o que joga hoje – e o que deixou de jogar nestas últimas rodadas -, não será Valentim o responsável por pilotar o bote salva-vidas.

Enquanto as chamadas forças políticas do Vasco anunciam a pacificação interna do clube, num ato com um quê de criança arrependida tentando mostrar para a mãe que ele o irmão ainda são amigos, apesar do pequeno ainda sangrar em razão tombo sofrido durante a briga, numa tentativa desesperada de fugir do castigo, a guerra contra o rebaixamento persiste. Assim como a desordem futebolística e o sofrimento de seu torcedor, que não tem paz nem na folga.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram: @BlogDoGarone



MaisRecentes

Cinco jogadores retornam ao Vasco após empréstimo



Continue Lendo

Pikachu pode ser a segunda maior venda da história do Vasco



Continue Lendo

Dez jogadores estão em fim de contrato com o Vasco



Continue Lendo