Mudança no Vasco precisa ir além de Valentim



Alberto Valentim não é mais técnico do Vasco (Foto: Delmiro Jr/Photo Premium)

No futebol não existe herói solitário assim como não há um vilão que caminhe sozinho. É um esporte coletivo dentro e fora de campo. Portanto, não é a simples mudança de treinador que irá resolver todos os problemas de um clube. No caso do Vasco, que demitiu Alberto Valentim neste domingo, as causas para o baixo rendimento são muitas, apesar do presidente manter o discurso de que o trabalho vinha sendo bem feito.

Valentim deixou o cargo com 50,4% de aproveitamento. Na Série A do ano passado, o rendimento havia sido de apenas 29,6%, um desempenho que se fosse mantido durante todo o campeonato o teria deixado na vice-lanterna da competição, ficando à frente apenas do Paraná. Números muito ruins, mas que não impediram a permanência de Alberto para 2019. A diretoria confiou no trabalho a longo prazo, porém, que deu poucos sinais de evolução em oito meses. Principalmente quando testado contra adversários da 1ª divisão.

Os resultados em campo, no entanto, são apenas a consequência do planejamento do clube fora dele, que passam pelas mãos não apenas de Campello, mas também do diretor Alexandre Faria e do coordenador técnico Paulo César Gusmão, responsáveis por montar um elenco que até então se mostra desequilibrado.

O Carioca deixou claro que faltam opções ofensivas no time, que precisou mais uma vez recorrer à base com urgência para suprir suas lacunas, subindo Tiago Reis e Lucas Santos já como solução e não apenas como opção. Marrony, outra cria da base, foi o artilheiro do time. Reis, decisivo na reta final da Taça Rio.

Jovens protagonistas que deveriam ser apenas coadjuvantes se as contratações tivessem elevado o nível do elenco, e não apenas o enchido.

Bruno César, principal contratação da equipe para a temporada, e que sabidamente vinha de temporadas ruins no Sporting, com problemas físicos e técnicos, terminou o Carioca no banco. O insucesso com o seu camisa 10 forçou a chegada de mais um homem para o meio: Valdívia.

Maxi López, principal nome em 2018, idem. Por isso o protagonismo precoce dos garotos.

Com problemas na criação, o time abusou do jogo aéreo no campeonato. Danilo Barcelos foi o líder em assistências para finalização da equipe, com 31 passes. Todos os os três grandes tiveram meias no topo do quesito. O Flamengo, campeão estadual, teve sua trinca na liderança, com Arrascaeta, Diego e Éverton Ribeiro. No Flu, Everaldo, Yony González e Ganso ocupam as três primeiras colocações. Já no Botafogo, Erik e Luiz Fernando dominaram as ações. Só no Vasco que o principal garçom foi um lateral.

Um problema não só de peças, mas de um esquema com dois pontas abertos que Valentim insistiu em manter e não soube mudar diante das dificuldades.

No setor defensivo, se não faltam opções – só de volantes são mais de dez atletas que podem exercer a função -, ainda não se tem a qualidade esperada. A diretoria contratou Fellipe Bastos – que atuou apenas 14 minutos em três meses -, renovou com Willian Maranhão por cinco anos – que fez apenas quatro partidas na temporada -, esboça uma nova ampliação de contrato com Bruno Silva, e nenhum se coloca no elenco como possível solução para o setor.

A cabeça de área, inclusive, foi um dos pontos mais frágeis da equipe no Estadual. Lucas Mineiro, apesar de mostrar qualidade na saída de bola, com bom controle e passe, demonstrou dificuldades na marcação. Junto com Raul, teve uma média de desarmes inferior, por exemplo, a de Paulo Henrique Ganso. O camisa 10 do Fluminense teve média de 1,6 recuperações de bola por rodada, enquanto que a dupla vascaína teve um aproveitamento de 1,3 por jogo. Apenas entre os atletas dos quatro grandes, segundo dados do Footstats, os dois tiveram somente a 31ª maior média no fundamento. Um número que ajuda a explicar a facilidade com que os adversários chegavam até a área cruz-maltina.

Com dificuldades para recuperar a bola, o Vasco terminou o Carioca com a menor média de posse de bola entre os quatro grandes, com apenas 51%.

Não à toa Fernando Miguel – que não tem um reserva com ao menos 10 jogos de Série A – e Leandro Castán foram um dos poucos destaques nos clássicos, quando o nível do confronto aumentou.

Ou seja, a diretoria que tanto fala em austeridade financeira e reconstrução do clube, segue se dando ao luxo de gastar com jogadores que acrescentam pouco ao elenco, são pouco utilizados e incham não só o plantel mas também a folha salarial. Depois cobram da torcida uma maior associação para aumentar o investimento no futebol.

O atual elenco do Vasco conta com mais de 40 jogadores – 11 contratados apenas em 2019 -, e ainda assim tem lacunas. principalmente técnicas.

Valentim tem sua parcela de culpa no fraco desempenho do time desde o ano passado, é claro. Principalmente na postura submissa que a equipe assumiu nas partidas contra Avaí, Bangu e Flamengo. Sua saída, porém, não é a mudança geral que o clube precisa, mas apenas o início dela.

Após perder quatro meses de preparação com um treinador que já dava sinais desde o ano passado de que não duraria no cargo, o Vasco começa o Brasileiro, mais uma vez, com baixas expectativas. E assim será, independente de quem assuma, caso a reformulação no futebol vascaíno não seja mais profunda.

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