Maxi López no Vasco



Maxi López estava na Udinese (foto: AFP)

Tenho um pé atrás natural com quase todo estrangeiro que chega ao Vasco. A expectativa é, quase sempre, exagerada. Principalmente quando se trata de argentinos. E não é uma questão apenas da torcida. Já me empolguei excessivamente também com alguns destes casos. Talvez até por isso o pé atrás.

Maxi López é o mais novo destes casos. Sua carreira pode ser vista por vários ângulos, o que dificulta ainda mais a análise. A história de um atacante que atuou ao lado de Ronaldinho Gaúcho no Barcelona e foi campeão da Europa é real, mas superficial. Há também a história de um jogador que nunca conseguiu se firmar em um grande clube europeu, como a maioria. Ou seja, dentro da normalidade.

Nem oito, nem oitenta.

O otimista lê o nome e se recorda de um atacante que foi revelado pelo River Plate e chamou a atenção do Barça, onde conquistou uma Champions e um Espanhol. Alguém mais atento, porém, sabe que isto ocorreu há mais de uma década, na temporada 2005/2006, e que Maxi fez apenas 19 jogos pelo clube espanhol, marcando somente dois gols – um deles de pênalti. Sem se firmar, foi emprestado ao Mallorca, onde fez 30 jogos e apenas quatro gols.

Desde então, seu melhor momento foi exatamente no Brasil. Após três anos discretos na Rússia, no FK Moscou, López acertou com o Grêmio. No Tricolor Gaúcho, em 2009, o atacante atingiu o seu recorde de gols em uma temporada, marcando 17 vezes em 41 partidas. Novamente, porém, há quase dez anos.

As boas atuações no Brasil levaram Maxi de volta à Europa. Mais precisamente ao futebol italiano, onde esteve nas últimas nove temporadas. Marcou 26 gols pelo Catania em 70 partidas – em dois anos e meio – e chamou a atenção do Milan, que o contratou por empréstimo para a temporada 2011/2012. Mais uma vez, entretanto, o argentino não se firmou em um clube de ponta da Europa. Após 11 jogos e só duas bolas na rede, Maxi se transferiu para a Sampdoria.

Na Samp, ficou por dois anos, marcando apenas seis gols em 29 partidas.

Após defender novamente o Catania e atuar por meia temporada pelo Chievo, novamente com pouco destaque, Maxi voltou a ter um bom ano com a camisa do Torino. Os 11 gols em 23 jogos fizeram do jogador o vice-artilheiro da equipe em 2014/2015, ficando atrás apenas de Quagliarella, que marcou 17 vezes. López, entretanto, teve a melhor média de gols do time.

Aos 31 anos de idade, o argentino voltava a fazer mais de 10 gols após cinco temporadas.

O bom momento como artilheiro, porém, não se repetiria. Nos dois anos seguintes, ainda pelo Torino, marcaria apenas mais nove vezes em 47 jogos. Em 2017/2018, já pela Udinese, López estufou as redes seis vezes em 29 jogos – três deles de pênalti -, sendo quatro deles na mesma partida, num 8 a 3 sobre o Perugia. Os outros dois também saíram em um mesmo jogo: no 4 a 0 sobre a Sampdoria.

Ou seja, nos 29 jogos em que fez pela equipe de Údine, Maxi marcou em apenas dois. O último, em novembro de 2017.

Maxi López é uma incógnita como tantas outras do mercado. Tem nome, currículo, peso, mas pouco destaque recente. Por outro lado, não parece que será um investimento alto feito pelo Vasco.

Pelo o que vem sendo informado, Maxi chega da Europa a preço de América do Sul. Pra quem vinha pagando a Riascos valores de árabes, parece um bom negócio.

Maxi é daquelas promessas que nunca estouraram, mas que por ter se mantido no futebol europeu por tanto tempo traz uma bagagem interessante. Mas não é motivo para alarde.

O momento de Maxi López é bom? Não, do contrário não deixaria a Itália. O que não faz dele descartável em futebol brasileiro que sente a falta de centroavantes.

Durante sua carreira, Maxi só foi um grande goleador no Brasil. Aos 34 anos, terá mais uma chance – talvez a última – de resgatar o faro que parece ter perdido na Itália. O país, ao menos, parece ser o certo.



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