A Martín o que é de Martín



Martín Silva pode deixar o Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

A relação da torcida com um ídolo é tão passional quanto a própria paixão dele pelo clube. Uma conexão por semelhança, de intimidade. Quase que um espelho. Porém, com um agravante: ela chega ao fim.

Não que a idolatria se perca no tempo como uma memória vazia, opaca, não é isso. Mas ela, invariavelmente, perde o seu maior vínculo: o campo, onde o amor nasceu. A relação com o time é reciclada no dia a dia, com a constância de jogos e vitórias, mas com o jogador, o ídolo, em algum momento ela deixa de ser uma chama viva e passa a ser somente lembrança fria. E esse rompimento nem sempre é bem assimilado pelas partes.

Martín Silva, o mais próximo de um ídolo que o Vasco teve nos últimos cinco anos, pode estar vivendo seus últimos momentos como jogador do clube. E o uruguaio tem sua possível saída comemorada por quem ainda não perdoou a falha contra o Grêmio, no último minuto, e lamentada por aqueles que ainda enxergam no camisa 1 a liderança que falta ao time. Sentimentos distintos que só a paixão produz. Extremos que nem sempre são a realidade.

Silva, hoje, não é o mesmo goleiro que para alguns ganhou o status de ídolo em sua chegada, mas também não é o frangueiro indubitável, de mãos trêmulas e olhos pávidos, que alguns pintam após o ano ruim.

A verdade é que a referência pode ser tudo, menos morna, mediana. Do ídolo espera-se tudo, menos a mortalidade. Martín, portanto, não pode ser menos do que ele próprio foi um dia: um incontestável. Pela figura que representa e, claro, pelo alto custo que se torna. Principalmente para um reserva.

Martín Silva não deixará o Vasco – se confirmado – por estar em um momento inferior ao de Fernando Miguel – que solitariamente também não é garantia de um ano seguro -, mas sim por estar abaixo de si mesmo. Fará falta ao time, que não tem dois bons goleiros brigando por posição desde 2001, quando teve Fábio e Hélton no elenco. Porém, abrirá um espaço na folha – fala-se em cerca de R$ 400 mil por mês, entre salário e direito de imagem – que não pode ser preenchido por um jogador que ficará, possivelmente, no banco.

Por este preço, é preciso ser um intocável, algo que Martín já não é.

Mantido ou de saída, ídolo ou supervalorizado, certo é que Martín deixa seu nome no clube, entre outras coisas, pela postura correta que sempre teve desde o primeiro dia. Com atitudes, inclusive, mais importantes que os pênaltis pegos na altitude. Num Vasco constantemente pisoteado, Martín muitas vezes foi escudo. E não apenas embaixo das traves.

Se a porta for o destino do goleiro, que seja a da frente, escancarada para que as visitas aconteçam antes da saudade. Afinal, ela existirá, seja em um tom saudosista ou de arrependimento.

Se há a discussão quanto ao nível de idolatria de Martín Silva – algo que pra mim é pessoal e intransferível – , é inegável que o arqueiro se tornou um fã do clube. Um torcedor como outro qualquer. Portanto, que Martín receba o que lhe é seu por direito: o reconhecimento por ser mais um vascaíno, um igual apaixonado.

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