Maracanã: é preciso respeitar a história



Mário Filho foi um dos grandes incentivadores da criação do Maracanã (Foto: Reprodução/Jornal dos Sports)

Se fosse vivo, Nelson Rodrigues, irmão de Mario Filho, provavelmente iniciaria seu texto da seguinte forma: “Eis a verdade, amigos”. E a verdade contada seria a de que o Maracanã já foi morto há tempos. O que habita a Avenida Castelo Branco é apenas uma sombra.

Aliás, a proposta de alteração de nome do estádio só confirma isso. A mudança nada mais é do que uma tentativa de ocultação de cadáver, lhe tirando a última identidade. Pior do que isso: lhe arrancando a paternidade.

Veja bem, não é porque o pior crime já foi cometido – a destruição do verdadeiro Maraca -, que está liberada a esculhambação geral do local. Há de respeitar, no mínimo, a história. Foi o que restou.

Ninguém perguntará quem foi Pelé ao chegar no local. Isso é contado diariamente de diversas formas, em múltiplos lugares. Agora, é preciso explicar quem foi Mário Filho. Aparentemente, até para quem deveria conhecê-lo. Afinal, ajudou a moldar a paixão do povo, logo, também a sociedade carioca, que deveria ser representada exatamente no Legislativo, de onde surge a última pá de cal.

O Maracanã não atrairá mais turistas por se chamar Pelé, pelo simples fato dele já ser – apesar de tudo – o Maracanã. Já era, inclusive, muito antes de Pelé.

Nem Pelé, será mais Pelé, por dar nome ao Maracanã. São personagens conectados, porém, distintos. São dois, não apenas um.

Mario é pai do Maracanã. Pelé, um dos milhões de filhos.

Um dos mais especiais, é verdade, mas ainda assim, um filho, que só teve uma casa tão grande e bela para brincar graças ao pai.

Há de se respeitar ao menos isso.



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