A maior das batalhas



Vasco homenageou o Flamengo em sua camisa, contra o Resende (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Ter que explicar uma homenagem, como a feita pelo Vasco ao Flamengo, nesta quarta-feira, contra o Resende, é o que faz dela importante. É como dizer ‘eu te amo’ para alguém e ter que justificar em seguida, como se demonstração de afeto fosse crime. E, no Brasil, às vezes, realmente parece ser. Por isso precisa ser combatido.

Se fosse óbvia, a homenagem, não seria tão grande. É exatamente o inesperado que faz dela especial. A incapacidade de alguns – poucos – em ver na bandeira rubro-negra o rosto dos meninos do Ninho e não um símbolo adversário é o que faz do ato tão relevante: as pessoas estão cegas.

Quebrar o peso da rivalidade era o mínimo que o clube, que já havia disponibilizado psicólogos e assistentes sociais para ajudar os familiares das vítimas, poderia fazer em tempos tão complicados. Porque o peso do tributo é exatamente este: o Vasco e o Flamengo, juntos, num raro momento em mais de 100 anos. E se não fosse em uma tragédia absurda e dolorosa como essa, em mais nada seria. Que exemplo dariam à sociedade?

A frase clichê “Não é só futebol” nunca foi tão óbvia. No Vasco, nunca foi só isso. E se tem algo que orgulha o seu torcedor é essa capacidade do clube olhar além da bola e de sentir além da casca, de forma muito mais profunda do que uma simples camisa possa tocar.

Se o Vasco fosse uma pessoa, um velho português criado em São Cristóvão, casado com uma pernambucana que mora na Tijuca, mas de família alagoana, primos baianos e sotaque capixaba, não me espantaria se ele entrasse em campo com uma camisa vermelha e preta e os olhos marejados por não ter tido tempo para sentar com aqueles garotos e comido alguns bolinhos de bacalhau após um dia de treino.

A surpresa deveria estar na indiferença, não na empatia.

Foi um ato simbólico, diferente, inimaginável – para alguns – até então, e, por isso, importante e histórico. Não foi uma mensagem apenas aos que se foram, mas aos que ficaram e aos que ainda estão por vir. Foi um pedido silencioso por paz e por energias mais positivas. O fato de alguns não entenderem justifica automaticamente a sua necessidade.

Quem vai apurar responsabilidade é a Justiça. Por ora, o que dá para fazer, é abraçar. E fazer isso com a instituição Flamengo – não necessariamente com seus dirigentes -, é unificar em uma só imagem o carinho que o Vasco – e tenho certeza que os vascaínos – gostariam de transmitir às vítimas, familiares, funcionários, amigos e, claro, seus torcedores. O que os une é exatamente a bandeira que carregam, por isso ela representa a todos.

Infelizmente, ninguém mudará o passado, mas o futuro é possível. Ainda que com pequenos gestos. Essa é a grande batalha. O Vasco entendeu isso.

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