Juventude, medalhões e ‘chocolate’: as passagens de Abel Braga pelo Vasco



Abel Braga será o técnico do Vasco em 2020 (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Apresentado oficialmente nesta quarta-feira, Abel Braga será o técnico do Vasco em 2020. Ex-jogador do clube nos anos 70, tendo formado a famosa Barreira do Inferno, campeã carioca em 1977, que tinha Mazarópi no gol, Orlando Lelé e Marco Antônio nas laterais, e Geraldo ao seu lado compondo a zaga, Abelão acumula também duas outras passagens por São Januário como treinador. Essa, porém, será a primeira iniciando a temporada.

O CONTURBADO ANO DE 95

A primeira vez que Abel assumiu o Vasco foi em abril de 1995, logo após a queda de Nelsinho Rosa – campeão brasileiro com o clube em 89 -, ainda no Estadual. Atual tricampeão carioca, o Cruz-Maltino vivia uma reformulação em seu elenco. Da equipe vencedora em 94, perdeu nomes importantes como Alexandre Torres, Jorge Luís, Willian e Jardel, além de Dener, que faleceu durante aquela disputa em um acidente de carro. Do time que iniciou a série de conquistas, Edmundo, Bebeto, Bismarck e Dinamite – aposentado – também já haviam deixado a Colina. Sobrou para a base.

Além de Carlos Germano, Pimentel, Tinho, Leandro Ávila, Yan, Gian, Hernande e Valdir, que já vinham fazendo parte do elenco principal nos anos anteriores, o clube passou a utilizar com mais frequência atletas de uma geração posterior, como Bruno Carvalho, Bill, Frazão, Preto Casagrande, Richardson e Brener. As exceções eram os zagueiros Ricardo Rocha e Paulão, o volante Luisinho e o atacante Clóvis, um dos poucos reforços daquela temporada.

Time base do Vasco no Carioca de 95 (Foto: Reprodução)

Abel estreou pelo Vasco num clássico contra o Botafogo, no Maracanã, e saiu vitorioso: 1 a 0, gol exatamente de Clóvis. Depois conseguiu superar o Atlético Mineiro, nos pênaltis, pela Copa do Brasil, mas a eliminação para o Corinthians de Marcelinho Carioca e Viola, sendo goleado por 5 a 0 no Pacaembu, um mês após assumir o comando, daria início à sua curta passagem. Assim como as duas derrotas para o Flamengo de Vanderlei Luxemburgo – 1 a 0 e 4 a 2.

Quarto colocado no Estadual, já sem chances de título, o treinador acabou demitido na penúltima rodada. Jair Pereira assumiria no Brasileiro e, curiosamente, cairia no decorrer da competição após uma sequência de cinco derrotas que teve início exatamente contra o Internacional comandado por Abel Braga – 2 a 0 em São Januário. Zanata, outro campeão de 77 como jogador, fecharia o ano conturbado como técnico da equipe.

Ao todo, em 95, Abel comandou o time em apenas 14 jogos, conquistando 6 vitórias, 3 empates e 5 derrotas.

OUTRA REALIDADE EM 2000

Se em 1995 o elenco vascaíno era formado quase todo ele por jovens oriundos de suas divisões de base, em 2000, quando Abel Braga retornou ao clube, a realidade era outra.

Campeão brasileiro em 97 e da Libertadores em 98, o Vasco montou uma verdadeira seleção para disputar o Mundial de Clubes que seria realizado no Brasil em janeiro daquele ano. Jorginho, Alexandre Torres, Romário, Júnior Baiano e Válber se juntaram aos remanescentes Hélton, Felipe, Mauro Galvão, Odvan, Amaral, Nasa, Gilberto, Juninho Pernambucano, Ramón, Pedrinho, Viola e Edmundo.

Romário e Edmundo formavam a dupla de ataque no 1º semestre de 2000 (Foto: AFP)

Sob o comando de Antônio Lopes, que dirigia o time desde 1996, o Vasco acabou sendo derrotado pelo Corinthians, na decisão do Mundial, e pelo Palmeiras, no Rio-São Paulo, encerrando a histórica passagem do treinador pelo clube. Em março, antes do início do Carioca, Abel acertou a sua volta.

A estreia aconteceu contra o Madureira, em São Januário, e terminou com vitória cruz-maltina por 2 a 0, com dois gols de Edmundo. Romário, que sentiu uma lesão na decisão contra o Alviverde, ficou de fora. Os dois atacantes, aliás, seriam os grandes protagonistas do período. E não apenas pelos gols.

Se por um lado o Vasco tinha um grande elenco, recheado de craques, jogadores de Seleção Brasileira, havia também um enorme ego. Principalmente os dois ‘ex-amigos’.

Durante todo o Estadual, Romário e Edmundo trocaram farpas publicamente. A dupla disputava a preferência da torcida, a artilharia, a posição de cobrador de pênaltis e até a braçadeira de capitão. Após um 4 a 1 sobre o Olaria, o Baixinho soltaria a célebre frase: “Agora a corte está toda feliz: o rei, o príncipe e o bobo”.

O rei era Eurico Miranda. O bobo, Edmundo. E o príncipe, ele próprio – o Animal havia usado esse termo em uma declaração após o jogo contra o Bangu, quando pediu para bater o pênalti, Romário não deixou e acabou perdendo.

O CHOCOLATE

Abel Braga encerraria a sua segunda passagem pelo Vasco com apenas duas derrotas – América e Fluminense – em 23 jogos. A saída foi sacramentada após a eliminação do time na Copa do Brasil, em São Januário, contra o Fluminense, num empate em 2 a 2 – havia sido 1 a 1 no primeiro jogo e a equipe saiu pelo gol fora.

A partida mais memorável, no entanto, seria contra outro rival: o Flamengo. A histórica goleada de 5 a 1, de virada, que decidiu a Taça Guanabara daquele ano é relembrada pelos torcedores até hoje. Romário, com três gols, foi o principal destaque. Felipe e Pedrinho também marcaram. Leandro Machado, aos seis minutos, havia aberto o placar.

Romário brilhou no 5 a 1 (Foto: Ricardo Ayres)

Sem Abel no banco, sob o comando de Alcir Portela, porém, o Cruz-Maltino perderia os dois jogos finais do Estadual para o Rubro-Negro.

Para o Brasileiro, Oswaldo de Oliveira foi contratado, levando o time até a semifinal, quando acabou demitido por Eurico. Joel Santana assumiu em seu lugar, conquistando o nacional e a Mercosul daquele ano.

ABEL BRAGA NO VASCO EM 1995

14 jogos
6 vitórias
3 empates
5 derrotas
19 gols marcados
15 gols sofridos

ABEL BRAGA NO VASCO EM 2000

23 jogos
15 vitórias
6 empates
2 derrotas
62 gols
21 gols sofridos

Abel comanda treino do Vasco em 95 (Foto: Agência O Globo)



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