“Isso não é Vasco”



Vasco perdeu para o Flamengo em São Januário (foto: Paulo Fernandes)

Vasco perdeu para o Flamengo em São Januário (foto: Paulo Fernandes)

Poucas coisas são tão constrangedoras quanto fazer vergonha em casa, na frente dos pais, amigos e parentes. O lar é uma das coisas mais sagradas, intocáveis e invioláveis que o homem pode ter. É uma extensão da família.

O que não a torna violentável. Muito pelo contrário.

A frase do título deste post  foi proferida pelo presidente vascaíno Eurico Miranda: “Isso não é Vasco”. Uma das poucas ditas por ele após a derrota por 1 a o para o Flamengo que representa a realidade do clube.

Há tempos o Vasco não é Vasco.

E a parte campal, neste contexto, talvez seja a menos relevante. Apenas um reflexo.

O Vasco se tornou antipático até para os seus. Uma velha paixão que cada vez se mostra menos atraente. Não por sua  beleza, história, seus heróis e personagens, mas pelo presente e suas sombras.

Poderia ter sido apenas mais um clássico do Brasileirão – como se um duelo entre rivais pudesse ser chamado de “mais um”, mas prossigamos -, porém, o Vasco, de forma não-oficial, colocou na mesa um de seus maiores bens: São Januário.

E perdeu.

Não a estrutura física, mas a condição de inviolável contra o rival. Algo que ostentava desde 1973. Foi como se o clube tivesse se preparado apenas para vencer em casa, sem nunca, eventualmente, pagar a conta do domicílio.

Pagou. Com juros.

Sempre defendi clássicos no estádio. Até porque, nunca vi uma arquibancada agredir ninguém. Nem na rua General Almério de Moura ou em qualquer outra moradia do mundo. Mas é incontestável que as cenas são vergonhosas.

Vejo a punição do local ou da instituição, seja ela qual for, uma demonstração de medo de individualizar o problema. É como flagrar uma traição no sofá e vender o móvel como solução.

Pessoas brigam, estádios não. A pena deve ser disciplinar, mas individual.

Vasco e Flamengo fizeram um jogo bem parelho, igualmente tenso e pouco inspirado. Ambos mostraram mais medo de perder do que vontade de vencer. Um pudor excessivo dos dois lados.

Até o gol de Everton, eram dois times pudicos, castos.

O desequilíbrio veio exatamente no individual, onde o Rubro-Negro é inegavelmente superior. Everton Ribeiro deixou claro para Henrique a diferença entre qualidade e excesso de vontade: um fica em pé, o outro não.

E é mais ou menos assim, entre horizontal e vertical, que os rivais saem do confronto deste sábado. Curiosamente, num raro dia onde arquibancada vascaína fez mais feio que o time em campo.

E esta talvez seja a maior derrota vascaína.

Mais uma vez o time perde para o seu maior rival. E nem é o Flamengo…

É ele próprio.



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