Inversões e invenções de Cristóvão



Gilberto foi bastante acionado na direita (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Gilberto foi bastante acionado na direita (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Gilberto, Kelvin, Jean e Muriqui como titulares. Madson, Julio dos Santos, Eder Luis e Thalles fora.

O que muitas vezes parte da torcida do Vasco pediu nas redes sociais e nos estádios, foi ouvido. Contra o Volta Redonda, Cristóvão lançou alguns reforços desde o início, colocou Wagner no 2º tempo, usou volantes de origem… Sem invenções.

E perdeu.

Quando parecia que o time começaria a ter cara de 2017, tomou um gol bem comum desde 2014: na bola aérea, em falha na linha defensiva. Problema desde os tempos de Adílson Batista, que segue ecoando com uma dupla de zaga que se repete desde então. Sem revezamentos, sem inversões.

Na frente, entretanto, muitas mudanças. Inclusive em relação aos jogos que venceu. Kelvin entrou pela direita formando boa dupla com Gilberto. Guilherme Costa, destaque nas últimas partidas, inverteu de lado e foi para a esquerda.

O lado direito ganhou corpo. Já o esquerdo, ficou morto.

Talvez empolgado com as boas estreias de Gilberto e Kelvin no meio de semana, contra o Santos do Amapá, a equipe fincou bandeira no lado direito e de lá não saiu até os 30 minutos do 1º tempo. Ciente disso, o Voltaço povoou a lateral e fez boa marcação. Restrito a um pequeno pedaço de campo, o Vasco teve dificuldades.

Enquanto isso, Alan Cardoso – que novamente não foi bem – e Guilherme Costa se tornavam espectadores do duelo. E o time perdeu um de seus principais finalizadores, além de um flanco inteiro para tentar abrir a bem montada defesa do Volta Redonda.

O jogo concentrado em apenas um lado, apesar de realçar as qualidades individuais de Kelvin e Gilberto, diminuiu o leque de opções da equipe. Sem variações e com espaço reduzido, voltou a contar com o individual para pressionar. E só ele.

Sem conseguir inverter o jogo, o técnico vascaíno mudou a posição de seus meias. E o jogo virou. Não no placar, mas ao menos no tom.

Com Kelvin na esquerda, a defesa adversária passou a se preocupar com os dois flancos e o ‘campo cresceu’. De olho no recém-contratado, os donos da casa foram obrigados a espaçar a linha defensiva, dando brecha para as infiltrações.

No 1º lance, Guilherme Costa, canhoto na direita, cortou para o meio e finalizou com força para boa defesa de Douglas Borges. No 2º, driblou o marcador e arriscou próximo da linha de fundo. Quase em seguida, Gilberto recebeu de Nenê e teve duas chances claras de marcar. Na última, parou na trave.

Com a inversão, sem invenção, o time melhorou. Não só criou, assustou. Diminuiu a importância do individual e passou a ser mais coletivo.

Kelvin sumiu um pouco da partida, mas o Vasco, como um todo, apareceu. Por não concentrar mais a bola em apenas um lado, outros jogadores despontaram. Assim como no confronto válido pela Copa do Brasil, a presença de um centroavante mais efetivo poderia ter mudado o placar.

A invenção de Muriqui de centroavante não funcionou. A de Escudero na lateral-esquerda, em contrapartida, apesar de paliativa, se mostrou efetiva. Mais pela fase ruim que vive Alan do que por méritos do argentino, é bem verdade.

Na etapa final, entretanto, a inversão de Kelvin e Guilherme foi desfeita, o cansaço ficou nítido e as deficiências também. Foram muitos cruzamentos (37) e lançamentos diretos (39) para uma equipe que atuou sem um centroavante de força física para brigar por essa bola.

O Vasco cria, mas não crava. Já não anda tanto, mas ainda corre errado. Melhorou o passe curto, porém, abusa do longo. Forçou mas não envolveu.

O Cruz-Maltino inverteu algumas falhas, inventou novos erros e se deparou com alguns antigos. Mas também enxergou novas possibilidades e conheceu novas soluções que aos poucos serão ministradas. Ainda não estão prontas.

Pedir calma para o torcedor é o mesmo que solicitar silêncio em meio a um show de rock. Por mais que seja nobre a causa, ela dificilmente será ouvida. Cristóvão e o Vasco precisam estar cientes disso. A torcida também.



MaisRecentes

Sub-20 do Vasco poderá superar o desempenho do time de 2010, que revelou Allan e Luan



Continue Lendo

A Martín o que é de Martín



Continue Lendo

Valentim precisará fazer muito mais em 2019 para justificar sua permanência



Continue Lendo