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A inexplicável volta de Fellipe Bastos ao Vasco



Fellipe Bastos volta ao Vasco apos cinco anos (Foto: Marcelo Sadio/Vasco)

Jovem, passagens pela Seleção Brasileira de base – disputou o Sul-Americano sub-17 em 2007 – e pela Europa – PSV, Benfica, Belenenses e Servette -, dono de um potente chute de longa distância, bom passe e visão de jogo. Atua tanto como 2º volante quanto meia ofensivo.

Foi mais ou menos assim que Fellipe Bastos foi apresentado ao Vasco em 2010. Foi assim também que foi recebido por Alexandre Faria, hoje diretor em São Januário, no Sport, no início de 2018. “É um volante de uma técnica muito apurada”, disse o então dirigente do Leão na ocasião.

Em sua primeira passagem pela Colina, um adendo: na época – junho de 2010 -, o Benfica exigiu que o Cruz-Maltino contratasse o jogador para que houvesse a liberação do atacante Eder Luís. Já era, portanto, na época, um refugo. Posteriormente, em 2012, o clube ainda adquiriu os dois jogadores em definitivo, gerando uma dívida de R$ 12 milhões com os portugueses.

Claro, as questões financeiras não são um problema do atleta, mas sim da gestão de Dinamite que aceitou a negociação dentro deste moldes. No entanto, mostra que já era uma negociação equivocada há anos atrás, e repetida – com outros valores – agora.

Recai sobre Bastos agora, no entanto, a certeza. Se antes era uma jovem aposta de 20 anos, hoje é um meia de quase 30 – completa 29 em fevereiro – , conhecido por todos e querido por poucos torcedores que o viram com a camisa de seu clube do coração. Principalmente para o vascaíno, que o acompanhou em 145 jogos, sendo titular em 102 deles. Em nenhum outro, Fellipe conseguiu completar 50 partidas, trocando de clube quase que uma vez por ano desde a sua saída do cruz-maltino. No Sport, inclusive, terminou o ano na reserva da equipe rebaixada.

Com o passar do tempo, a ideia de um volante de boa técnica e ótimo chute de longa distância foi caindo por água abaixo – apesar das afirmações de Alexandre Faria. E nem é necessário ir muito longe ou usar da memória, quase sempre falha, para chegar a esta conclusão. Os números recentes confirmam que os rótulos não são tão verdadeiros como pode fazer parecer o ‘Melhores Momentos’ do Youtube.

Com 87,8% de acerto nos passes, Bastos teve apenas a 20ª maior marca de todo o Sport no Brasileirão 2018. Isso em um fundamento que, na teoria, seria um dos seus pontos fortes. De 1094 tentados, errou 133 – o segundo pior do elenco pernambucano. No Vasco, todos os volantes com mais de dez jogos tiveram um aproveitamento melhor: Bruno Silva (95,7%), Willian Maranhão (93%), Desábato (92,4%), Andrey (92,1%), Raul (91%) e Bruno Cosendey (88,1%).

Nos passes para gol, deu apenas um, mesmo número de Desábato e Maranhão, e um a menos que Andrey e Cosendey. Na construção de jogadas, outra derrota no comparativo com os atuais volantes. Fellipe, que jogou mais adiantado em algumas rodadas, terminou o Brasileiro com uma média de uma assistência para finalização a cada 90 minutos em campo, enquanto que Ritter e Raul precisaram de apenas 80.

O rendimento nos chutes de fora da área também esteve longe de ser algo que merecesse um destaque no currículo. Bastos foi o 5º jogador que mais arriscou chutes de fora da área em todo o Campeonato Brasileiro, com 45 tentativas, porém, acertou apenas 14. E somente um terminou em gol – contra o Athlético Paranaense, na 10ª rodada.

Andrey, volante titular do Vasco e 2º que mais arriscou de longe (53), fez três. Bruno Henrique, do Palmeiras, com quatro, foi o líder tendo tentado apenas 31 vezes.

Por mais que seja uma negociação de baixo custo – o Vasco deve arcar com apenas 30% do salário do jogador-, chama a atenção por se tratar de um atleta que acrescentará pouco ao elenco que já conta com seis atletas de nível parecido para a posição e duas boas apostas surgindo em sua base: Bruno Gomes e Caio Lopes. E o pior: chega ao clube já desgastado com o torcedor que por cinco anos o criticou, principalmente pela displicência e a falta de combatividade, e agora o vê retornar com status de reforço sem ter apresentado nada de diferente pelos outros times em que atuou.

Nem o passado e nem o presente credenciam o retorno de Fellipe Bastos ao Vasco.

Entre tantos nomes possíveis no mercado, a diretoria vascaína optou por ir atrás de um antigo conhecido que não deixou saudades. É como reatar, depois de velho e cheio de vícios, um namoro que já não havia paixão quando adolescente.

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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

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