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A história dos técnicos estrangeiros no Vasco



Scarone foi um dos muitos uruguaios que passaram pelo Vasco (Foto: Reprodução)

Jorge Jesus, Sampaoli, Jesualdo Ferreira, Coudet, Aguirre, Gareca, Osório… Nos últimos anos, o futebol brasileiro presenciou uma verdadeira invasão de treinadores estrangeiros. O Vasco, no entanto, sem mantinha distante dessa “tendência”. Até agora.

O clube anunciou nesta quarta-feira a contratação do técnico português Ricardo Sá Pinto, de 48 anos. Há 60 anos que o Cruz-Maltino não acertava com um estrangeiro para comandar a equipe. O último havia sido o argentino Abel Picabéa, em 1960.

Picabéa nasceu em Buenos Aires, mas veio cedo para o Brasil, ainda como jogador, tendo sido zagueiro do São Cristóvão, Olaria, Madureira e Palmeiras. Como técnico, Abel passou por Sporting, de Portugal, e Oviedo e Gijón, ambos da Espanha, antes de chegar à São Januário.

A passagem do argentino pela Colina, no entanto, seria curta, encerrando em janeiro de 1961, após 12 vitórias, 5 empates e 8 derrotas.

A história dos técnicos estrangeiros no Vasco, porém, é muito mais longa e antiga. Aliás, o primeiro treinador da história do clube foi um gringo: o uruguaio Ramon Platero. Técnico da seleção uruguaia no fim da década de 10 – quando o Vasco dava seus primeiros chutes na modalidade -, Platero assumiu o grupo vascaíno em 1922, quando ainda figurava na 2ª divisão carioca – o clube começou sua trajetória no futebol na 3ª divisão estadual, em 1916.

Platero foi o 1º técnico do Vasco (Foto: Reprodução)

Ramon levou os Camisas Negras à elite carioca e se sagrou como o grande treinador do histórico time que conquistaria o Estadual logo em seu primeiro ano na 1ª divisão, em 1923. Um ano antes, chegou a treinar simultaneamente outra equipe carioca: o Flamengo. Com os dois na Série A, precisou optar por um deles, e escolheu por ficar em São Januário.

Platero teve vida longa no clube, permanecendo até o fim de 1926. E seu substituto seria outro estrangeiro: Harry Welfare. O “Tanque Inglês”, 6º maior artilheiro da história do Fluminense, havia se retirado dos gramados em 1925 e dois anos depois assumiu o comando técnico do Vasco.

Welfare ficaria uma década inteira como treinador do time vascaíno, conquistando os Cariocas de 29, 34 e 36. Floriano Peixoto, brasileiro, entraria no seu lugar. Mas em 1938, outro gringo tomaria o cargo: o uruguaio Carlos Scarone.

Com a profissionalização do futebol, em 1933, permitindo a compra e venda de atletas, além do pagamento de salários, uma verdadeira enxurrada de estrangeiros chegaram ao Brasil. Junto de Scarone, vieram os argentinos Agnelli, Menutti, Emeal e Gandulla, além do uruguaio Villadoniga, que se tornaria o maior artilheiro gringo da história do clube, com 83 gols marcados.

Scarone, no entanto, cairia em maio de 1939, abrindo espaço para o retorno exatamente de seu compatriota e ídolo cruz-maltino: Ramon Platero. A passagem do comandante dos Camisas Negras dessa vez seria curta, com Gentil Cardoso assumindo no mesmo ano.

Sem ganhar um Carioca desde 1936, o Vasco passou a rodar muitos técnicos. Em 40, Harry Welfare assume novamente, conduzindo o time até a estreia da temporada 1942, quando Telêmaco Frazão, ex-zagueiro, técnico e presidente do Grêmio, foi chamado para o posto. O inglês, porém, reassumiria o posto em agosto.

Ondino Viera e Welfare (Foto: Jornal dos Sports/Reprodução)

A grande arrancada do Expresso da Vitória aconteceria em 1943, com a chegada de outro treinador vindo de fora, mais um uruguaio: Ondino Viera. Sob o seu comando, o clube conquistou o seu primeiro Campeonato Carioca de forma invicta, em 1945, dando início à série de títulos vascaínos empilhados durante aquela década.

Ondino, porém, pediria dispensa do Vasco em junho de 1946, alegando problemas pessoais. Sem opções para o seu lugar, o clube colocou um anúncio de emprego no jornal convidando os treinadores da cidade a se candidatarem à vaga. Dito e feito. E o escolhido acabou sendo exatamente um português: Ernesto Santos.

Ex-zagueiro do São Cristóvão, Ernesto havia chegado ao Brasil ainda jovem e tinha trabalhado com Ondino no Fluminense. Formado em Educação Física, dirigiria o Vasco por apenas 13 jogos: cinco vitórias, cinco empates e três empates.

Ernesto Santos foi o 1º técnico português do Vasco (foto: reprodução/Jornal A Noite)

Seu substituto após a saída, ainda em 46? Roque Calocero, ex-lateral argentino que defendeu o clube na década de 30 e que ganhou uma oportunidade como interino até a chegada de Flávio Costa, em 47. O treinador levaria o time ao seu ápice naquele período, ganhando o Sul-Americano de 1948 de forma invicta.

Depois, apenas com Picabéa, em 1960, que o Cruz-Maltino voltaria a ter um técnico estrangeiro. Bom, até agora.



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Autor

André Schmidt

Formando em Jornalismo, André Schmidt escreve desde 2008 para sites e blogues esportivos. Como convidado, já produziu textos para Jornal dos Sports, Jornal do Brahmeiro, Trivela e Goal. Manteve também colunas em Os Geraldinos, pertencente a Placar na época (2011), SãoJanuário.Net e SuperVasco, além de ter tido matérias e pesquisas publicadas no Jornal Marca e no site NetVasco. Desde junho de 2014 trabalha no Grupo LANCE!, quando foi convidado para fazer parte da equipe de Mídias Sociais durante a Copa do Mundo.

andrefschmidt@gmail.com

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