A goleada do Vasco



Carlinhos marcou o seu primeiro gol pelo Vasco (Foto: Celso Pupo/Fotoarena)

O dicionário define o termo goleada como “o ato de fazer um grande número de tentos (gols)”. É de domínio público a expressão, inclusive. Mas, quem define o que é um “grande número”?

Para o Vasco, por exemplo, em 2020, 1 a 0 virou goleada. Primeiro, pela importância que o placar tem na sua briga contra o rebaixamento. Segundo, pela incapacidade recorde que o time vem tendo para marcar gols em 2020. Já mostrei aqui: é o pior ataque da história do clube, em média de bolas na rede. São 42 tentos em 48 jogos, é o único clube da Série A que tem mais partidas do que gols no ano.

Um gol no jogo passou a ser algo acima da média para o Cruz-Maltino – mesmo com Cano. Logo, vencer por 1 a 0 é uma goleada.

O Vasco, desde antes de Sá Pinto, tem um problema de equilíbrio. Quando abaixa muito as suas linhas para se defender, tem dificuldades para atacar. Quando tenta ganhar o campo adversário, avançando seus laterais – característica do português -, se expõe excessivamente – vide as goleadas para Ceará e Grêmio. Quase nunca o time ataca e defende na mesma partida, é um ou outro.

Sair na frente nos minutos iniciais e se fechar durante o restante do duelo, portanto, passou a ser a opção mais segura. Talvez a única. Foi assim que o Vasco venceu o Athletico Paranaense, ainda com Ramon Menezes, Sport, já com Sá Pinto, e, agora, o Santos. Quase bateu Goiás, Defensa y Justicia, na Argentina, e São Paulo da mesma forma, mas cedeu o empate.

Faltando 13 jogos para o fim do Campeonato Brasileiro e ainda dentro da zona de rebaixamento, o Vasco tem entrado em campo pela sobrevivência. Mais do que equilíbrio – que só vira com tempo e treinamento -, a equipe joga por resultado. E nada mais.

Foram apenas quatro finalizações contra o Peixe, enquanto que o time de Cuca arriscou 19. Porém, o que os números não dizem é que, bem fechado na sua última linha, o Cruz-Maltino cedeu ao adversário apenas cruzamentos na área, principalmente em bola parada. No mais, o Santos teve dificuldades para superar a defesa vascaína. Como escrevi lá em cima, sem a necessidade de atacar, funciona.

O gol de Carlinhos, aos 8 minutos, mudou toda a dinâmica da partida, permitindo ao Vasco segurar a sua goleada particular. O Vasco continua sendo um time pobre de ideias, sem um repertório ofensivo capaz de balançar as redes mais de uma vez por duelo.

A curto prazo, jogar por uma bola parece não ser somente uma opção, mas sim a única opção. De grão em grão…



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