A fome de Marrony



Marrony é o artilheiro do Vasco no ano (Foto: Marcelo Gonçalves/Photo Premium)

Poucas coisas são tão perigosas num gramado liso quanto um atacante com fome. Quando se é jovem, une-se a isso a volúpia natural da idade. Digo liso porque é uma caça a olhos nus, sem espreita ou armadilhas. É uma batalha anunciada. A bola já entra em campo ciente de que é uma presa a ser abatida por ele e o único lugar onde pode se esconder é o próprio gol, como um suricato desgarrado, indefeso.

No Vasco, ninguém tem sido tão faminto quanto Marrony.

Autor do terceiro gol vascaíno na vitória por 3 a 0 sobre o Resende, nessa quarta-feira, o atacante deixou o gramado dizendo que “pensou naquilo como um prato de comida”. O prato, no entanto, não era apenas o gol, mas sim a bola. Durante todo o jogo o menino correu atrás dela como se fosse a última coxinha com Catupiry do recreio. Impediu as subidas de Filipe Souza no 1º tempo, quando atuou pela esquerda, e ajudou a anular Mawell, no 2º, quando foi para a direita, tudo isso graças ao seu apetite incontrolável de recuperar a bola

Veja bem, ninguém serviu Marrony em seu tento. Ele mesmo plantou, colheu, preparou, temperou e cozinhou o próprio gol.

Aos 17 minutos do 2º tempo, com o placar marcando 2 a 0 e o time precisando apenas de um empate para ir à final da Taça Guanabara, o garoto ainda tinha a fome que poucos têm nessa situação. Um atacante de bucho cheio, ali, não daria mais que dois passos lentos esperando o chutão do goleiro. Ele não. Brigou, ganhou a bola – foi líder de desarmes do jogo, com cinco -, foi derrubado e, do chão, onde muitos clamam por um penal, empurrou para as redes boquiabertas do Maracanã.

Nesse início de 2019, é através da fome de Marrony, quase sempre saciada, que o Vasco ganha corpo.

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