Evander e a geração quase perdida do Vasco



Geração 98 do Vasco já foi quase toda negociada (Foto: Divulgação/Vasco)

O ano de 1998 foi histórico para o Vasco. Campeão carioca e da Libertadores logo após ter levantado a taça de vencedor do Brasileirão, no ano anterior, o período é marcado por glórias e grandes ídolos. Sob a benção dos gols de Luizão, Donizete, Pedrinho, Ramón e Juninho Pernambucano, nasceram, naquela temporada, alguns jovens que ficariam conhecidos no clube como a ‘Geração 98’.

Colecionando títulos desde o sub-11, ainda no futsal, a turma de atletas que vieram ao mundo naquele ano foi encorpando ao longo do tempo. Mateus Vital, com cinco anos, foi o primeiro a chegar. Um ano depois, foi Andrey. Depois, Alan Cardoso, Evander, Douglas Luís e Hugo Borges se juntaram ao grupo. Agora, em 2019, ano em que finalmente estourariam a idade dos juniores, apenas três dos destaques permanecem em São Januário: Andrey, Alan e Hugo. Os dois últimos, pouquíssimo aproveitados até o momento.

Uma geração inteira praticamente perdida pelo clube, que após anos de investimento, não conseguiu ter o retorno técnico esperado. Ou melhor: não esperou pelo retorno técnico que poderiam dar. Evander, com 52 jogos, foi quem mais atuou entre todos. DG saiu com apenas 39 partidas e Mateus com 36.

Aos 20 anos, Douglas, Vital e Evander, expoentes da vitoriosa geração, já não vestem mais a camisa vascaína. E, com exceção do volante, negociado com o Manchester City, da Inglaterra, por R$ 44 milhões, nenhum outro jogador gerou um lucro financeiro expressivo. Mateus foi vendido ao Corinthians por R$ 5 milhões, enquanto que Evander foi comprado em definitivo pelo Midtjilland, da Dinamarca, nesta terça-feira, por um valor que gira entre oito e dez milhões de reais – ainda não confirmado. Somada, a venda da dupla de meias não cobre sequer cinco meses de folha salarial da equipe atual, algo em torno de R$ 4 milhões. É metade, por exemplo, do total da venda de Ayrton Lucas feita pelo Fluminense. Um lateral de 21 anos, também muitas vezes criticado por sua torcida, mas que ainda assim acabou negociado por R$ 30,5 milhões com o Spartak Moscou, da Rússia.

Um dinheiro que só alivia o desespero financeiro momentaneamente, mas que deixa novos buracos no elenco, tapados constantemente com jogadores de maior idade, custo mais elevado e menor capacidade técnica e potencial, gerando nova dívida, que força uma nova venda precipitada, com valores baixos e a bola de neve segue a girar. Wagner, por exemplo, que atuava na mesma posição dos dois, recebia, entre salário e direito de imagem, mais de R$ 400 mil, e ainda deixou o clube cobrando um dívida de R$ 8,5 milhões, referente a atrasados e FGTS. Ou seja, só com o custo mensal do jogador, impostos, férias, benefícios e juros pelos atrasos, foi-se quase todo o lucro das duas operações dos jovens jogadores. Isso só para termos um exemplo simples da bola que não para de rolar.

Paga-se muito por nomes antigos, e vende-se barato os novos. E não será surpresa nenhuma se Andrey for o próximo a manter o bloco de neve em movimento.

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