A estreia de Luxemburgo no Vasco



Vanderlei estreou com empate (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Escrevi aqui, no último fim de semana, que a troca de treinador é uma espécie de réveillon onde renasce a esperança do torcedor. Traz a sensação – muitas vezes falsa – de que, ao final dos fogos, tudo passará a ser diferente, num estalar de dedos. No Vasco, porém, a excitação pelo Ano Novo terminou antes mesmo da ressaca do primeiro dia.

Com 25 minutos de partida, em São Januário, as 14 mil vítimas que foram ao estádio já vaiavam o time. Sim, vítimas. O futebol apresentado pelo time, como tem sido comum no ano todo, foi algo criminoso. Com o agravante da expectativa gerada, o que faz da atuação ainda mais desanimadora.

Veja bem, não é exagero. Contra o Avaí, neste domingo, na estreia de Vanderlei Luxemburgo, o time teve o seu segundo pior aproveitamento de passes na temporada. Foram 50 toques errados de 328 tentados, um aproveitamento de apenas 84,76%, segundo dados do Footstats. Superior apenas à decisão do Estadual, contra o Flamengo, quando errou 54 de 344 – 84,3%.

Foi também o seu pior desempenho ofensivo no Brasileiro – o segundo pior do ano -, terminando a partida com apenas duas finalizações na direção do gol. E ambas dos zagueiros: Ricardo Graça, autor do gol, e Werley, que parou em Vladimir. Sempre em bolas alçadas na área. Ou seja, no toque de bola, pelo chão, o Vasco foi tão inofensivo quanto lateral direto na área.

Com 29,7% de acerto nas finalizações, o time carioca tem o pior aproveitamento no fundamento neste Brasileirão.

Em sua primeira partida no comando do Cruz-Maltino, Luxa parece ter optado pela segurança. Não defensiva, que continuou cheia de espaços entre as linhas, mas na escolha dos nomes. Escolheu pelos mais experientes, mantendo Maxi e promovendo o retorno de Bruno César. Além disso, recuou Pikachu para a lateral e lançou Andrey no meio, na tentativa de armar uma equipe com mais armas ofensivas. A escolha pelo mesmo modelo de jogo de Alberto Valentim, no entanto, anulou qualquer efeito que pudesse ser produzido pelas alterações individuais.

Vasco teve dificuldades para manter a posse no ataque (Foto: Footstats)

Com Rossi e Marrony abertos dos lados, Maxi seguiu isolado no ataque. A ideia talvez fosse contar com a aproximação de Bruno César, mas o camisa 10 conseguiu deixar o gramado com mais passes errados (7) do que certos (6). Morria ali qualquer possibilidade de criação vascaína.

Com a bola girando entre os zagueiros – Ricardo (41) e Werley (40) foram os que mais trocaram passes no jogo – e os volantes – Lucas Mineiro foi o terceiro com 35 -, o Vasco se viu preso à mesma ideia pouco criativa de Valentim, de esticar bolas para os pontas e torcer para resolverem sozinhos. Obviamente, sem sucesso.

O empate sofrido no fim, geralmente, é uma punição dos Deuses do Futebol. No caso do tento de Daniel Amorim, aos 49, que selou o empate em 1 a 1, penitenciou apenas Sidão, execrado no último fim de semana, mas que vinha sendo o único de atuação destacada. De resto, o gol só fez justiça aos catarinenses, muito mais organizados e cientes de suas virtudes e defeitos.

O Ano Novo vascaíno começou cheio de manias velhas. E um resultado cada vez mais perigoso.

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